Life and Death in Rio de Janeiro

By Jez Smadja to Los Angeles Review of Books

IN THE BOOKSHOPS with weeks to go before the 2016 Summer Olympics, Luiz Eduardo Soares’s Rio de Janeiro: Extreme City is possibly not the book that the International Olympic Committee, the Visit Rio tourist board, the mayor Eduardo Paes, or indeed many cariocas — a breed of people particularly sensitive to any slurs against their city — will want you to read. There’s barely a mention of the breathtaking scenery, the historic samba schools, the state-of-the-art museums it has delivered in time for the Games, or the new metro extension and light rail system it hasn’t, or not yet at any rate.

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Ante a naturalização da barbárie, sociedade precisa se unir por um pacto republicano

Publicado no site Justificando em  10 de abril de 2017

Há algum tempo não escrevo. Não tenho me sentido capaz de romper o silêncio e vencer a impotência diante do que tem acontecido, sobretudo no Rio de Janeiro. Há uma desproporção irredutível entre a barbaridade das execuções extra-judiciais e os adjetivos disponíveis na linguagem verbal. Entre as barbaridades que têm sido ditas nas inacreditáveis tentativas de justificação do injustificável e as qualificações oferecidas pela língua portuguesa. Entre o assassinato da menina Maria Eduarda (desgraçadamente, apenas mais uma vítima) e as palavras que o discurso pode mobilizar. Entre os seguidos assassinatos de policiais e a pobreza do vocabulário acessível. Entre a naturalização da barbárie e as palavras que consigo articular. Esgotou-se o repertório do dizível. Não há mais ênfase possível, depois que a desgastamos em nossas denúncias e críticas proclamadas a todo volume. Por outro lado, o silêncio não é solução e a inércia é cúmplice do status quo.

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Ricardinho, pequena homenagem à sua memória

Luiz Eduardo Soares

 

Essas lembranças são uma pequena homenagem à memória de Ricardo Benzaquen de Araújo, amigo da vida toda. Se me incluo no relato, é porque, em vez de uma descrição distante e objetiva de sua obra, prefiro dar o testemunho dos efeitos de sua presença em minha vida.

Conheci Ricardo nos pilotis da PUC, no Rio de Janeiro, no início dos anos 1970. Eu, calouro, ele já na metade do curso; eu em Letras, ele em História. A despeito das escolhas diferentes, logo nos encontramos nas admirações comuns, entre elas, e com destaque, o professor Luiz Costa Lima. Lembro das conversas animadas com uma tribo muito interessante, que incluía Sérvulo Figueira, George Lamaziére e Eduardo Viveiros de Castro. Apesar da atmosfera carregada –afinal, vivíamos os anos mais sombrios da ditadura–, havia ali uma vitalidade apaixonante. Éramos ambiciosos, irônicos e críticos corrosivos de quase tudo, e nos divertíamos, sem perder a conexão com o sentido dramático do tempo.

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Entrevista: Luis Eduardo Soares detona chegada do Exército às ruas do Rio

Entrevista para David Miranda, em 15 de fevereiro de 2017

Poucas pessoas — talvez nenhuma — tenha se debruçado tanto a estudar, refletir e expressar a hecatombe da segurança pública brasileira nas últimas duas décadas como o antropólogo, cientista social e escritor Luiz Eduardo Soares, de 62 anos.

Nesta entrevista exclusiva à equipe do Mandato Coletivo David Miranda, ele analisa as últimas movimentações no cenário da segurança pública do Rio de Janeiro, que vive um momento especialmente tenso. Após a mobilização de esposas de policiais militares copiar o que foi feito no Espírito Santo, ao bloquear as saídas dos batalhões, o governo Pezão chamou as Forças Armadas para se precaver de uma greve — ou um motim — da tropa.

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Pacto sinistro

Publicado no site Justificando, terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A sociedade brasileira atravessa turbulências originais. Depois do deslocamento de placas tectônicas em 2013, com a emergência massiva de novos protagonismos, muita água passou por baixo da ponte, e também por cima dela, com o ímpeto de um tsunami que ameça levá-la na enxurrada –a ela e a todas as demais pontes, não só retóricas. O ódio tomou o poder e reina, soberano.

Na falta de projetos alternativos, a insurreição sublimada faz tremer os pilares da sociabilidade e das instituições. Em síntese, eis o que, a meu juízo, ocorreu: Dilma foi reeleita negando a crise e prometendo dar continuidade à era de prosperidade e redução das desigualdades –é inegável que os dois mandatos de Lula constituíram um marco histórico, nesse sentido (os dados são eloquentes), graças ao casamento feliz entre a virtude (a visão, a ousadia e a habilidade do presidente) e a fortuna (o contexto internacional tão favorável).

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Antídoto ao discurso fascista sobre segurança pública

Publicado no site Justificando em 30 de janeiro de 2017

Este artigo foi escrito como uma contribuição aos parceiros que, enfrentando a resistência proto-fascista, mantém erguida a bandeira dos direitos humanos. Minha intenção foi oferecer argumentos persuasivos mesmo àqueles que não se importam com valores e apenas cobram resultados. Procurei demonstrar que, mesmo do ponto de vista exclusivamente pragmático, o descumprimento dos direitos humanos por parte das polícias leva à sua degradação e consequente enfraquecimento, e conduz ao fortalecimento do crime.

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UPP fracassou porque só ela não basta, diz ex-secretário nacional de Segurança

Guilherme Azevedo

Do UOL, em São Paulo

06/01/2017

Ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-subsecretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (1999-2000), Luiz Eduardo Soares avalia que a política de pacificação por meio das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) fracassou no Rio de Janeiro, oito anos depois de seu lançamento oficial.

Para Soares, o fracasso da política de ocupação de áreas de risco aconteceu porque foi conduzida por uma polícia militarizada, sem base comunitária, e porque não foi seguida de outras políticas de Estado, como de saneamento básico e educação.

“Não houve nenhuma reforma institucional, e a polícia, infelizmente, é o que é no Rio de Janeiro”, aponta, com a experiência de quem denunciou, no início dos anos 2000, a existência de uma “banda podre” da polícia, corrupta e associada ao crime.

“As experiências [das UPPs] foram por água abaixo, e o grande símbolo dessa virada foi o assassinato do Amarildo”, lamenta, lembrando o caso do pedreiro Amarildo, que sumiu após ser levado de sua casa, na Rocinha, por policiais militares.

Lançada como principal política de segurança pública do Rio de Janeiro, a primeira UPP foi implantada em 19 de dezembro de 2008, no Morro Santa Marta, durante o governo de Sérgio Cabral Filho (PMDB). Hoje são 38 UPPs (a última foi inaugurada em maio de 2014), com um efetivo total de cerca de 9.000 policiais.

Segundo o Balanço de Indicadores da Polícia de Pacificação, que reúne dados de todas as 38 UPPs, a taxa de letalidade violenta (que inclui número de assassinatos e roubos seguidos de morte, por exemplo) voltou a crescer em 2014 e em 2015, embora abaixo do índice verificado antes do início do programa, em 2008. Em 2015, foram 150 casos de letalidade violenta, contra 361 em 2007. Essa taxa chegou ao nível mais baixo em 2013, quando foram 76 casos de morte violenta.

Na entrevista a seguir, Luiz Eduardo Soares também fala da crise política e econômica no Rio de Janeiro e defende a antecipação de eleições como saída. E, apesar de ter deixado a Rede Sustentabilidade por divergências, vê Marina Silva com “grandes chances” de vencer a eleição presidencial de 2018. “Ela é das poucas personagens que atravessarão essa tempestade.”

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A esquerda e o novo lugar do indivíduo

Artigo publicado no caderno Ilustríssima da Folha de São Paulo em 27/11/2016

De meu ponto de vista, a esquerda é o campo político daqueles que não aceitam desigualdades que se projetem sobre os potenciais de desenvolvimento das crianças. Empenham-se na construção de sociedades, em escala global, livres de racismo, misoginia, homofobia e intolerância religiosa. Não aceitam a redução da liberdade, senão nos limites ditados pela necessidade de fazê-la igualmente acessível aos outros. A forma de vida idealizada por uma esquerda libertária, com a qual me identifico, é aquela na qual respeito à alteridade e emancipação individual constituam o núcleo central da moralidade. É a forma de vida em que caiba ao Outro a descrição de si mesmo, independente de classificações prévias. É aquela na qual a individualidade é experimentada com radicalidade criativa e não implica individualismo, porque inclui engajamento coletivo na universalização de suas condições de possibilidade.

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Manifesto em solidariedade a Luiz Eduardo Soares

Meus sinceros agradecimentos à manifestação de solidariedade, cujo valor, para mim, foi inestimável. Agradeço às organizadoras e a cada um e cada um que endossou o manifesto.

Luiz Eduardo Soares 31/10/2016

Nós, intelectuais, artistas, estudiosos e ativistas do campo da segurança pública vimos a público manifestar nosso repúdio à forma vil com que o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, nas inserções diárias de rádio e TV da propaganda eleitoral, desde a última sexta-feira, dia 20/10, ataca o antropólogo Luiz Eduardo Soares, acusando-o de ter vínculos com redes criminosas.

Num país em que a segurança pública não é garantida para a grande maioria da população e onde 60 mil homicídios acontecem a cada ano, especialistas como Luiz Eduardo Soares vêm dedicando sua energia na busca por políticas que garantam a possibilidade de se viver com mais segurança, justiça e igualdade. Luiz Eduardo é uma das maiores autoridades do país nesse campo e sua competência é reconhecida dentro e fora do Brasil.

Entendemos que o período eleitoral deve ser um momento para que candidatos apresentem propostas e possam ser avaliados pela população a partir de ideias, de seu compromisso com a verdade e da lisura no trato da coisa pública. Nesse sentido, repudiamos com veemência os ataques a Luiz Eduardo feitos pelo candidato à prefeitura Marcelo Crivella, que faltam com a verdade e revelam completa falta de escrúpulos na ambição pelo poder.

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Carta aberta aos membros da REDE

Segunda-feira, 3 de outubro de 2016

*Os signatários postergaram a publicização desta carta aberta até o dia seguinte às eleições para evitar seu eventual uso eleitoreiro, prejudicando candidaturas, injustamente.

Por que saímos da REDE Sustentabilidade

Passadas as eleições municipais, seria importante que a REDE realizasse um balanço político. Mais do que o exame dos resultados alcançados em sua primeira participação eleitoral, trata-se de avaliar o percurso político até aqui tendo em conta os propósitos que estiveram presentes na fundação do partido.

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