Facebook post ainda sobre impeachment e Temer – 17/05/2016

Digamos que você saiba, sem margem para dúvida, que alguém matou cinco pessoas e agora está sendo julgado por um assassinato que, você também tem certeza, não cometeu. Você, membro do juri, condenaria ou absolveria o réu? Eu e quem aplicasse constitucionalmente o direito absolveríamos. Em sua esmagadora maioria, quem defendeu o impeachment fez o contrário do que eu faria: mirou o petrolão alvejando as pedaladas. Erro judicial, pelo motivo referido, e erro político, por várias razões: (1) legitima o procedimento que instrumentaliza o direito, ainda que o fizesse buscando realizar fins em si mesmos justificáveis; (2) transfere o poder para o lado B da máfia, o mais voraz e dependente de grandes interesses predatórios, racistas, misóginos, homofóbicos; (3) vitimiza vilões, sócios dos algozes, agora por estes traídos.
Supondo que haja defensores do impeachment com boas intenções (e claro que os há), lhes pergunto: (a) com Temer estamos mais próximos ou distantes de alcançar resultados mais amplos e profundos no combate à corrupção? (b) com Temer estamos mais perto ou mais longe de novas eleições via TSE? (c) com Temer estamos mais próximos ou distantes de novas eleições via PEC? (d) com Temer estamos mais perto ou mais longe de chegar a 2018 em condições mais favoráveis a uma vitória democrática que renove as forças progressistas e democráticas? (e) com Temer estamos mais perto ou mais longe de uma déblacle ainda mais radical nas áreas ambiental e indígena? (f) com Temer estamos mais perto ou mais longe de um retrocesso na área de políticas afirmativas, cotas e direitos humanos? (g) com Temer estamos mais perto ou mais longe do fortalecimento de um ministério da Justiça aliado das políticas de segurança mais brutais e regressivas? (h) com Temer estamos mais perto ou mais longe da pura e simples criminalização de movimentos sociais e até de sua desqualificação como “guerrilha” urbana? (i) com Temer, quem defende novas eleições fica mais perto ou mais longe de ser acusado de irresponsável, sabotador do país, divisionista, oportunista, subversivo da Constituição, etc…?
Parafraseando e invertendo a fórmula célebre de James Carville: “Não é só a economia, estúpido”.

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