Sobre a politização dos policiais (um diálogo com Bruno Torturra)

Facebook – 21 de fevereiro, 2020

Luiz Eduardo Soares

A politização dos policiais não começou com Bolsonaro, nem se esgota entre os militares. Conheço muitos ultra-direitistas militantes nas polícias civis e federais. E não se trata apenas de afinidades eletivas entre espíritos conservadores e instituições que portam a marca histórica de culturas corporativas conservadoras. Há bem mais que isso e o que há não é óbvio. A rotina policial -e aqui não generalizo a análise, refiro-me apenas aos segmentos (e são numerosíssimos) infectados pelo bolsonarismo, em todo o país- põe em marcha uma vida de militância e ativismo, sem dizer seu nome. A prática policial desses segmentos corresponde a um verdadeiro ativismo político contínuo. Ela se dá sob a forma de reafirmação de um crivo de leitura da história, ideologicamente enviesado, que foi viabilizado (legitimado) pela continuidade institucional e valorativa das polícias, fruto da transição política negociada, sem ruptura, que prevaleceu no Brasil. Trata-se ao mesmo tempo de leitura do passado e construção do presente à sua imagem e semelhança. A história do Brasil racista e classista tem sido escrita todos os dias, exaltada, celebrada e rememorizada, pela violência policial. A história no que ela tem de essencial e inercial, como se fora menos um fluxo e mais uma condição ontológica reposta, reencenada, reinstalada. A prática desses segmentos policiais tem escrito e reescrito a história na pele, no corpo (e no espírito) dos escravos, no dorso da sociedade (dorso pobre e negro) -a imagem eu a devo a Kafka, em seu conto magnífico, Na Colônia Penal.

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Alguns pontos para reflexão. O desafio será combiná-los e extrair consequências.

Facebook em 20 de fevereiro de 2020.
Luiz Eduardo Soares

O general Braga Neto assume a Casa Civil. Fora interventor no Rio. Presume-se que conheça como ninguém os bastidores da segurança pública fluminense e a atuação das milícias. É razoável supor que saiba o que aconteceu em 2018 e qual a natureza dos vínculos dos Bolsonaro com milicianos. Se a especulação faz sentido, posso deduzir que ele fosse tido pelos que têm o que temer como uma espécie de mina explosiva, capaz de detonar a República. Entretanto, tenderia a calar-se, fosse este o caso, em nome do que os oficiais militares prezam acima de tudo: a responsabilidade. Se o que sabe fosse tão perigoso, ele provavelmente guardaria o conhecimento sob sete chaves. Contudo, riscos sempre existem, em função de mudanças conjunturais, sobretudo havendo um vice confiável, do ponto de vista dos militares. Por isso, trazer a mina para a sala contígua no Palácio talvez seja o mais prudente a fazer. Lealdades personalizadas se sobrepõem ao puro princípio abstrato da responsabilidade pública.

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Soares, sobre o recorde de mortes da PM do Rio: “Estatizamos homicídios”

O porteiro Claudio Henrique de Oliveira foi morto por policiais militares na quinta-feira 12, durante operação na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro. Amigos e parentes do rapaz denunciam que, ao contrário do que alegam as autoridades, ele não era traficante e não estava armado. Na ação, quatro pessoas foram mortas.

Testemunhas dizem que os PMs chegaram atirando, sem qualquer preocupação de evitar atingir inocentes. Além dos parentes de Oliveira, a família do carregador Marcos Guimarães da Silva, também morto na mesma ofensiva, garante que ele não tinha envolvimento com o crime.

Os mortos no Vidigal se somam à impressionante relação de vítimas que nos últimos meses perderam a vida durante ações da polícia fluminense. Essa estatística chegou ao topo em 2019, com 1.686 mortes. A tática de enfrentamento determinada pelo governador Wilson Witzel, com muitos tiros disparados e pouco trabalho de inteligência, é o principal motivo dessa disparada, para perplexidade dos defensores dos direitos humanos e de qualquer um que pretenda viver em uma sociedade que mereça ser chamada de civilizada.

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É verdade que Moro e Bolsonaro reduziram a criminalidade?

(Postado no Facebook em 12/01/2020)

Que o governo tente faturar dados criminais dramaticamente elevados, como 50 mil homicídios, porque são 10% menores do que aqueles referentes ao ano anterior, é do jogo, mesmo que esse jogo seja desonesto. Agora, que jornalistas ou cidadãos com formação universitária comprem o discurso ufanista, acriticamente, é mais que lamentável, imperdoável.
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IMPEDIR WITZEL, EM NOME DA VIDA

É hora de impedir Wilson Witzel.

Na noite de 20 de setembro, no complexo do Alemão, Rio de Janeiro, Ágatha Félix, 8 anos foi assassinada, conforme todas as testemunhas, com tiro nas costas por policial que tentava atingir um motociclista. A menina estava com a mãe em uma Kombi. A família desdobrava-se para lhe proporcionar educação de qualidade e evitar que ela viesse a ser mais uma vítima da violência que assombra os territórios vulneráveis. Consternado, seu avô declarou à imprensa que ela fazia balé, inglês e se dedicava aos estudos com uma seriedade que levava os parentes a anteciparem um destino virtuoso que a salvasse das “estatísticas”.

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“Eu também quero pluralismo”, diz defensor da desmilitarização da PM sobre debate que Major Olímpio quer tumultuar

Há 30 anos Luiz Eduardo Soares vem propondo debates sobre segurança pública, polícias e justiça criminal. Na próxima segunda-feira (dia 13) haverá mais um, no qual o tema desmilitarização será tratado na Procuradoria Geral da República.

Como não poderia deixar de ser, em tempos bolsonaristas o líder do PSL, Major Olímpio, convocou militares a comparecerem – fardados – ao debate. Objetivo evidente: tumultuar, inibir, baixar o nível.

Luiz Eduardo Soares, antropólogo e filósofo, já foi Secretário Nacional de Segurança Pública e não hesita em afirmar que a transição para a democracia não foi completa no país. As polícias mantiveram-se no tempo da ditadura e são agentes ativos na desigualdade e no racismo estrutural nosso de cada dia.

Autor de vários livros, recentemente lançou “Desmilitarizar” pela Editora Boitempo. Ele conversou com o DCM.

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Pistolando podcasts – Desmilitarizar com Luiz Eduardo Soares

Podcasts para o site Pistolando

Como você definiria termos como segurança pública, ordem, criminalidade? Você certamente já ouviu falar da necessidade da desmilitarização da Polícia Militar, mas você sabe exatamente como isso é reivindicado, o que isso significa, que consequências teria, por que nunca foi feito antes, que argumentos são utilizados por quem rejeita essa ideia? Conversamos com Luiz Eduardo Soares, co-autor de “A Elite da Tropa” (sim, esse mesmo) e autor de “Desmilitarizar”, no nosso primeiro episódio em parceria com a Editora Boitempo.

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Luiz Eduardo Soares, autor de livro que inspirou Tropa de Elite: “A dupla Bolsonaro-Moro tem nos dado o inverso do que o Brasil precisa”

Publicado em

ANA MARIA CAMPOS

Entrevista: Luiz Eduardo Soares, secretário nacional de Segurança Pública (Senasp), entre janeiro e outubro de 2003, na gestão do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, cientista político, antropólogo, especialista em segurança e um dos autores do livro Elite da Tropa, que deu origem aos filmes Tropa de Elite.

“A dupla Bolsonaro-Moro tem nos dado o inverso do que o Brasil precisa”

Muitos governos investem em policiamento nas ruas porque o policial uniformizado cria na população a sensação de segurança, mas deixam de lado a prevenção e a investigação. Como mudar essa lógica?
A própria pergunta aponta o caminho: muda-se essa lógica, investindo-se em prevenção e investigação, o que exige transformação do modelo policial: desmilitarização, ciclo completo em cada instituição policial e carreira única.

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Livro “Desmilitarizar”

O antropólogo Luiz Eduardo Soares analisa a atuação violenta das nossas políticas e discute propostas de reforma das forças de segurança. Saiba mais!Entrevistado: Luiz Eduardo Soares, antropólogo e autor do livro “Desmilitarizar”Exibição: 25 de junho

http://www.futuraplay.org/video/livro-desmilitarizar/497123/

Decreto das Armas

Como a flexibilização do porte de armas poderiam impactar a segurança pública e que efetividade este tipo de política tem?Entrevistados: Luiz Eduardo Soares, antropólogo; Robson Rodrigues, coronel da reserva da PMERJ; Fernanda Barros dos Santos, cientista política e professora da UFRJExibição: 25 de junho

http://www.futuraplay.org/video/decreto-das-armas/497125/

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