Marina poderia ser favorita para 2018, mas ‘queimou caravelas com esquerda’ ao apoiar impeachment, diz fundador da Rede

Júlia Dias Carneiro Da BBC Brasil no Rio de Janeiro
  • 15 agosto 2017

Fundador e ex-membro da Rede Sustentabilidade, o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares afirma que a líder política do partido, Marina Silva, pode ter perdido a chance de chegar às próximas eleições presidenciais como favorita após ter declarado apoio ao impeachment de Dilma Rousseff no ano passado.

“Quando ela assumiu essa posição, extremamente irresponsável do ponto de vista da democracia, acho que ela queimou as caravelas relativamente ao campo das esquerdas. Não só do PT, das esquerdas”, considera ele. “Isso circunscreve o seu potencial eleitoral e político.”

Soares elaborou as propostas das candidaturas de Marina na área de segurança pública em 2010 e 2014 e deixou a legenda em outubro do ano passado – um dos signatários de uma carta aberta em que sete intelectuais anunciaram sua desfiliação, com críticas ao partido e a sua líder.

Para Soares, Marina deixou de ser “espontânea e genuína”, o que era a sua marca, e passou adotar posições “ambíguas”, e jogar o jogo “mais tradicional” da política.

Em entrevista à BBC Brasil, o cientista político considera que o cenário para 2018 está em aberto e depende da possibilidade de Lula se candidatar ou não. O caminho até lá também é imprevisível. “Hoje o Temer já é dispensável para as elites”, diz Soares. “Eu diria que sua permanência é realmente incerta.”

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Debate sobre segurança pública no Brasil é fraco, diz antropólogo Luiz Eduardo Soares

De outubro de 2015 a março deste ano, profissionais de segurança pública, gestores públicos e cidadãos comuns discutiram temas centrais para se pensar a política de segurança pública no país, como controle externo da atividade policial, descentralização federativa, desmilitarização, padronização da formação, carreira única e ciclo completo de polícia.

Os debates foram promovidos pela plataforma Mudamos – projeto desenvolvido pelo ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade) do Rio de Janeiro, em parceria com a Open Society Foundation e o Instituto Arapyaú –, que analisou mais de 10 mil contribuições feitas em sua página no Facebook e na própria plataforma ao longo de cinco meses e mapeou os argumentos usados pelos participantes na defesa de suas ideias e posições, reunindo-os no relatório que será lançado na sexta-feira, dia 23 de setembro, durante o 10º encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que terá início amanhã (21) em Brasília (DF).

Todos os temas lançados ao debate constam na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) número 51, de 2013, que reestrutura o modelo de segurança pública a partir da desmilitarização do modelo policial e hoje tramita na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado Federal. De sua elaboração, participou o antropólogo Luiz Eduardo Soares, especialista no tema. Consultor da plataforma Mudamos, ele falou à Ponte sobre algumas das questões presentes no relatório.

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Luiz Eduardo Soares defende uma nova estrutura para Segurança Pública

Nos últimos anos, a melhoria na segurança pública brasileira tem sido um dos principais desafios de todas as esferas governamentais. Somente em 2014, 58.559 brasileiros foram mortos de forma violenta, um aumento de 4,8% em relação a 2013, segundo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O aumento da criminalidade, sensação de insegurança, superpopulação carcerária,ineficiência das investigações e a morosidade da justiça colocam em xeque a atual estrutura, exigindo mudanças, inclusive na área policial.

Pesquisa realizada em 2009 pelo doutor em Ciência Política e Ex-secretário Nacional de Segurança, Luiz Eduardo Soares,  mostra que 70% dos profissionais de segurança pública no Brasil (quase 800 mil, incluindo todos os segmentos policiais e agentes penitenciários) são contrários ao atual modelo de polícia brasileira.

Luiz Eduardo Soares é professor da UERJ e coordenador do curso à distância de gestão e políticas em segurança pública, pela Universidade Estácio de Sá, também responsável pela nova plataforma “mudamos.org”, que abre espaço para esse debate, A participação da sociedade civil e profissionais da área permitirá um documento que será levado a deputados e senadores.

Defensor da Proposta de Emenda Constitucional- PEC 51, que reestrutura o modelo atual de polícia, Luiz Eduardo Soares acredita que no Brasil foram pouquíssimos e insuficientes os avanços neste setor.“Neste período ficou evidente que o país não pode mais conviver com a arquitetura institucional e o modelo policial determinado pelo artigo 144 da Constituição. Por isso, ajudei a elaborar e defendo a PEC 51, apresentada pelo senador Lindbergh Farias, em 2013”, comenta. “O que, hoje, no Brasil, podemos dizer que funciona e conquistou respeito, confiança, apreço na área de segurança?”, questiona.

Em sua opinião, apesar da Polícia Federal ser um exemplo, e a única de ciclo completo, ainda passa por tensões e desfuncionalidades, pois não adotou ainda a carreira única. “Espero que esses entraves ao aprimoramento institucional venham a ser corrigidos e superados”.

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‘A solução é desmilitarizar as PMs e permitir que a polícia investigue’

Ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares, que acaba de lançar novo livro, diz que o atual modelo policial está ‘contratando a violência futura’ e que é essencial  ‘preservar a Lava Jato’

 

Antropólogo, cientista político e escritor, Luiz Eduardo Soares reúne no seu mais recente livro os assuntos que mais conhece: Rio de Janeiro, política e segurança pública. A obra, Rio de Janeiro – Histórias de Vida e Morte, recém-lançada no Brasil, terá versão em inglês e lançamento internacional em março na Inglaterra. É um relato de histórias que desconstrói o clichê de “cidade maravilhosa”. Depois de atuar na área de segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal, Soares diz nesta entrevista à repórter Marina Gama Cubas que entre seus próximos objetivos está retomar os projetos da juventude – e o principal é dedicar-se mais à literatura.

 

Mas a agitada convivência com as ciências sociais e a antropologia não o deixam afastar-se, é claro, dos temas ligados à sociedade – em especial, a segurança. Tanto que ele inclui, entre suas missões, ampliar o debate sobre a PEC 51, que trata de mudanças na estrutura do modelo policial brasileiro. “As UPPs estão em ruínas”, alerta. Ao levar jovens pobres de periferia para a cadeia, “estamos contratando violência futura” – pois ao sair eles estarão, aí sim, “prontos para a criminalidade”. Uma de suas propostas: “Que não haja Polícia Militar” e que se adote “o ciclo completo” – ou seja, policiais atuando “desde o patrulhamento à investigação”.
Dedicado, atualmente, à tarefa de porta-voz da Rede Sustentabilidade, Soares avisa: não pretende mais assumir cargos políticos. Mas continuará carregando a bandeira por uma profunda reforma na segurança pública e para que a Lava Jato não seja obstruída. A seguir, os principais trechos da entrevista.
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Luiz Eduardo Soares: “Há um clamor por segregação no Rio”

Antropólogo lança livro com mosaico de histórias sobre o Rio, apresentado como um microcosmo das tensões sociais do país

Qual o Brasil de hoje? Qual o país de ontem? O furacão político-institucional vivido hoje tem paralelo na história? 2015 vai repetir 1964 ou 1954? Seria preciso um vidente para responder a questões como essas, que atormentam a nação. Ou então alguém experimentado, estudado ou que tenha sentido muitas dessas experiências na própria pele. É o caso do escritor e antropólogo fluminense Luiz Eduardo Soares, 61 anos. Além de intelectual respeitado até pelos adversários politicos, vivenciou em cargos executivos do governo federal, do governo estadual do Rio e de municípios (como Porto Alegre), o lado prático das questões nacionais: as puxadas de tapete do xadrez partidário, as contradições ideológicas, as decepções com as trapaças do sistema e dos que o enfrentam.

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Estamos errando o foco sobre segurança pública?

Um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população?

No mês passado, o antropólogo, cientista político e escritor Luiz Eduardo Soares esteve em Porto Alegre para participar de audiência pública sobre segurança pública organizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, com o tema “Arquitetura institucional da Segurança Pública e modelo de polícia no Brasil”, e também conversou com a jornalista Anelise Dias, para a revista o Viés. Soares, que é um dos principais propositores de mudanças estruturais nas instituições de segurança pública e no modelo de polícia hoje vigente, falou sobre como um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população e da informação, ao contrário do que se vê majoritariamente hoje em dia, com polícias ligadas exclusivamente à repressão e a trabalhos burocráticos.

Luiz Eduardo Soares é hoje professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e já foi coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio de Janeiro (1999-2000) e Secretário Nacional de Segurança Pública (2003). É também co-autor da obra “Elite da Tropa”, em que é inspirado o filme Tropa de Elite, além de ser autor de pelo menos duas dezenas de livros publicados. Abaixo você lê a entrevista na íntegra, que está dividida em três grandes eixos. Uma boa leitura.

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“Há lugares do Rio em que a polícia é despótica, sufoca a vida dos jovens”

Ex-secretário nacional de Segurança Pública aborda a corrupção no PT do mensalão em entrevista ao El País

Os primeiros passos do antropólogo Luiz Eduardo Soares (Nova Friburgo, 1954) como secretario nacional de Segurança Pública em 2003 foram recebidos com uma rajada de tiros na fachada de sua casa no Rio. Mas este não foi o único sobressalto da travessia política de Soares, coautor da obra que inspirou o filme Tropa de Elite. No seu novo livro,  Rio de Janeiro – História de Vida e Morte(Companhia das Letras), Soares relata a gênese do mensalão, a promessa de Lula e José Dirceu de não investigar as contas do ex-governador do Rio Anthony Garotinho em troca de apoio político, e sua saída do Governo, dez meses depois da sua nomeação, após a divulgação de um dossiê recheado de graves acusações contra ele e que tinha sido forjado pelos próprios colegas de partido. “Uma armadilha”, segundo Soares, na qual participaram grandes nomes do PT, como José Genoino, condenado a mais de quatro anos por corrupção.

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Livro de coautor de ‘Elite da Tropa’ aborda violência do Rio e gênese do mensalão

Pendurado por um cinto, com meio corpo para fora de um helicóptero, um policial com um fuzil gargalha enquanto ameaça atirar na multidão reunida para protestar contra o assassinato de um menino, na Mangueira.

Noutro trecho, um assustado jovem de classe média conhece o calor e a corrupção de uma prisão carioca. E, numa terceira, o líder de uma facção criminosa diz que quer se entregar, mas sabe que morrerá na cadeia. Afinal, virou um arquivo vivo e sabe quais policiais e autoridades embolsaram dinheiro do tráfico nos últimos anos.

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Entrevista a Daniel Oliveira

(1) A mobilização estudantil é parte da história de nosso país. Os estudantes tiveram e têm muita importância por sua ação política em geral crítica, sensível às grandes questões democráticas e populares. Nos últimos 20 anos, mais ou menos, as entidades nacionais mais relevantes por sua tradição, como a UNE, foram aparelhadas pelo PCdoB, em acordo com outros partidos, o que esvaziou a força de sua voz, abalou sua legitimidade e sua representatividade. Sobretudo depois que o PCdoB passou a gravitar em torno do governo do PT.

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Luiz Eduardo Soares fala sobre peça “Entrevista com um Vândalo”

Imagine um triângulo amoroso formado por um policial infiltrado, uma escritora e um militante blackbloc. Foi esta a trama idealizada Luiz Eduardo Soares na peça “Entrevista com um Vândalo”, que ficou em cartaz, em curta temporada em junho, no Teatro Sérgio Porto, na cidade do Rio de Janeiro. Soares assina o texto, e Marcus Faustini, a direção. Os atores Márcio Vito, Valquíria Oliveira e Ian Capillé também se revezam no papel de um governador, uma secretária e um coronel da PM. O desejo dos realizadores do espetáculo é que ele tenha uma restreia em um futuro próximo, mas ainda não há nada confirmado.

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