Facebook, 3 de maio, 2020

LES

Se me permitem, destaco três matérias na Folha de SP neste domingo, 3 de maio: (1) o ensaio de Nuno Ramos sobre a pandemia e a crise política, o texto mais brilhante que li nos últimos tempos; (2) a coluna de Gaspari, que focaliza finalmente o silêncio da mídia sobre a rede privada de saúde, que tem 50% dos leitos de UTI vazios (enquanto a rede pública está em ou na iminência do colapso) e vem bloqueando o debate sobre a necessidade urgente de unificar a fila de atendimentos para a COVID-19. A rede privada tem 15.898 leitos de UTI e a rede pública, 14.876. Se o ministro, o governo, o MP e a Justiça continuarem a fazer cara de paisagem, os pobres vão morrer, afogados no seco, e os ricos vão se salvar. (3) A coluna da ombudsman, Flavia Lima, mostrando como a mídia continua tratando Sergio Moro como o insuspeito magistrado, como se alguém pudesse entrar, inocente e imaculado, em um governo de energúmenos fascistas e, pior, sair puro e virginal. Quando terá o ex-juiz percebido que o abatedouro não cheirava bem? De todo modo, sublinho aqui a questão que me parece decisiva, sobre a qual Lygia Bahia escrevera e alguns temos martelado, em vão: quando vamos abrir o jogo sobre a rede privada e a necessidade de instaurar a fila única para atendimento?

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