Post no Facebook, em 28 de abril de 202

Luiz Eduardo Soares

Conheçam o plano do governo federal para sair das cordas e ganhar sobrevida: Guedes foi ao mercado e Bolsonaro foi às compras, comprando o apoio do Centrão -os cargos federais no país todo já estão sendo negociados. Enquanto isso, Guedes passou o seguinte recado à Globo, a Rodrigo Maia e Alcolumbre, aos Bancos e ao empresariado mais poderoso: “Se Bolsonaro cair, Mourão virá com Braga Neto e a turma de generais, implementando planos estatistas, neokeynesianos, ao estilo Geisel-Dilma. Portanto, as elites econômicas têm de renovar o apoio a Bolsonaro, e eu, Guedes, me comprometo, com o endosso do presidente, a seguir liderando o projeto neoliberal no pós-pandemia.”
Ou seja, abram os olhos: o que está em jogo é a direção da política econômica na saída da crise sanitária.
Essa manobra salvou Temer, depois do affair Joesley-Freeboy. Por que não salvaria um presidente ainda popular, como Bolsonaro?
Aparentemente, está dando certo. Hoje, há um clima de refluxo do impulso pró-impeachment bastante evidente. Bolsonaro voltou a respirar, embora com aparelhos.
Onde estão as brechas, os limites óbvios dessa tática? Vamos ter uma queda de algo como 9% do PIB. O desemprego vai passar de 20%. Os informais, 40 milhões, terão forte queda de renda, que já era tão baixa. A crise sanitária não vai se esgotar, vai se estender, penetrando 2021. Empresas vão quebrar e as menores serão compradas pelas grandes, fortalecendo oligopólios e aprofundando as desigualdades. Os gastos com saúde e com a injeção compensatória aos mais vulneráveis serão imperativos para evitar o caos e vão estourar o fatídico teto de gastos, que os arautos da selvageria neoliberal continuam defendendo, Guedes à frente. As camadas populares continuarão a sofrer perdas e mortes. Esse quadro, essa Guernica social, seria compatível com o darwinismo social à la Guedes? Só com uma ditadura de inspiração fascista. Ou seja, há uma tendência de que as elites e Bolsonaro se aliem não apenas tática, mas estrategicamente. No médio prazo, as ameaças de auto-golpe permanecerão.
Por outro lado, não nos esqueçamos de que investigações estão em curso, aos trancos e barrancos. Elas representam um risco à família Bolsonaro e a capacidade dessa turba produzir crimes é ilimitada. Tampouco negligenciemos os efeitos corrosivos das explosivas crises social e sanitária para Bolsonaro.
De todo modo, não nos deixemos iludir pelo que parece inexorável, nem subestimemos os fascistas. Bolsonaristas não abandonarão o messias nem que o mais abjeto dos crimes lhe seja atribuído. E as elites econômicas não têm qualquer escrúpulo, muito menos consciência.
Portanto, a luta continua. Não podemos nos abater, nem recuar. Como dizia o assessor do Clinton, “it’s the economy, stupid.”

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