BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – A política sacrificial: quadro simbólico-valorativo em que se inscreve a crise das esquerdas, no Brasil
“A política sacrificial: quadro simbólico-valorativo em que se inscreve a crise das esquerdas, no Brasil”, capítulo do livro Os Dois Corpos do Presidente (1993), é o nono e penúltimo texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares.
Neste ensaio, partindo de uma leitura da cultura política brasileira como um universo estruturado por narrativas sacrificiais, Luiz Eduardo Soares acompanha episódios decisivos da história republicana para examinar as formas pelas quais a política adquiriu legitimidade moral entre nós. Ao analisar os gestos de Prestes, Vargas e Tancredo Neves, o autor identifica uma gramática simbólica que faz do sacrifício o fundamento da autoridade pública e, por contraste, ilumina a crise contemporânea das esquerdas. Mais do que diagnosticar o esgotamento de projetos políticos, o texto argumenta que a “crise das esquerdas” estaria ligada ao colapso das mediações simbólicas que, durante décadas, sustentaram a distinção entre público e privado e conferiram sentido à experiência democrática.
Não perca, na próxima segunda-feira, a última publicação dessa edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Religioso por natureza: cultura alternativa e misticismo ecológico no Brasil – O Santo Daime no contexto da nova consciência religiosa – Misticismo e reflexão
No oitavo post da série Autorais Luiz Eduardo Soares, publicamos três ensaios do seu livro O Rigor da Indisciplina (1994): “Religioso por natureza: cultura alternativa e misticismo ecológico no Brasil”, escrito em 1989 e publicado então pelo ISER, “O Santo Daime no contexto da nova consciência religiosa” e “Misticismo e reflexão”, publicados também pelo ISER, em 1990, como um desdobramento das questões abertas no primeiro ensaio.
Em conjunto, os três textos investigam a emergência de uma “nova consciência religiosa” entre setores urbanos de classe média, tomando o universo da cultura alternativa — e, em sua vertente religiosa, o misticismo ecológico — como expressão privilegiada de transformações mais amplas da experiência moderna. Ao acompanhar esse fenômeno sob diferentes perspectivas, Luiz Eduardo Soares explora de que modo essas formas de religiosidade reelaboram questões centrais do projeto moderno: a constituição das identidades coletivas, a tensão entre autonomia individual e vida em comunidade e a possibilidade de fundar horizontes compartilhados sem recorrer a modelos autoritários de pertencimento.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Hermenêutica e ciências humanas
Publicado originalmente em 1988 na revista Estudos Históricos e republicado no livro O Rigor da indisciplina, de 1994, “Hermenêutica e ciências humanas” é o sétimo texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares.
Contra a confiança iluminista em modelos explicativos fundados em princípios universais, mas também sem aderir à dissolução radical do sujeito proposta por certas filosofias da diferença, Luiz Eduardo Soares busca, neste ensaio, situar a hermenêutica gadameriana como uma prática autorreflexiva, apontando o papel singular que essa tradição poderia representar na condução da controvérsia – que é, por definição, inconclusa.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
Segurança: O Brasil que não se olha no espelho
Entrevista para o site Outras Palavras em 22/06/2026
Antropólogo Luiz Eduardo Soares analisa a falência de políticas de segurança e como as facções se integraram à economia formal. Mostra como “enclaves policiais” acossam a democracia. E aponta para caminhos refundar instituições, a partir de alternativas ao punitivismo
Luiz Eduardo Soares soube, antes de quase todo mundo, que a polícia do Rio de Janeiro não estava doente: estava funcionando exatamente como fora projetada. Em 17 de março de 2000, um governador descobriu o preço de ter contratado alguém que dizia isso em voz alta.
A cena tem a economia de um roteiro de Padilha. Soares era o Coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do governo Anthony Garotinho. Pronunciara, em público, duas palavras que ninguém no Palácio Guanabara queria ouvir juntas: banda podre. Falava dos policiais que cobravam pedágio do crime, que protegiam o jogo do bicho, que matavam por encomenda e dormiam tranquilos. Foi exonerado. Ameaçado de morte, ele e a família deixaram o país.
Garotinho não demitiu Soares apesar do que ele denunciava; demitiu-o por causa do que ele denunciava. A “limpeza” anunciada pelo governo — mil e oitocentos policiais afastados, dezenas de expulsos — era o teatro; a estrutura era o enredo. Bastaram oito anos para a ironia se fechar.
Em 2008, a Polícia Federal prendeu Álvaro Lins, o delegado que fora chefe da Polícia Civil dos dois governos Garotinho (Anthony e Rosinha). A acusação: chefiar uma quadrilha armada que loteava delegacias e vendia proteção à máfia dos caça-níqueis controlada pelo bicheiro Rogério Andrade.
Lins foi condenado a vinte e oito anos. E Garotinho, o homem que demitira Soares em nome da moralidade, foi condenado junto — por formação de quadrilha — e depois preso, em 2016, por compra de votos.
O que Soares enxergava já estava escrito na paisagem, para quem soubesse ler. A figura do jagunço — o braço armado do coronel, o matador a soldo do latifúndio no pós-escravidão — não era folclore do sertão. Era arquétipo vivo, núcleo gravitacional ao qual a sociedade brasileira retorna como a um destino atávico.
Antes mesmo do golpe de 1964, o Rio já conhecia os Esquadrões da Morte, a Scuderie Le Cocq, o Mão Branca: grupos de policiais mais notórios que qualquer bandido lendário, antepassados diretos das milícias.
O regime militar não inventou esse arranjo. Herdou-o, naturalizou-o e o devolveu intacto à democracia, decretando a amnésia como nova ordem da cultura. É a tese que atravessa toda a obra de Soares: o que define o capitalismo brasileiro como autoritário não é o regime de turno, mas sua natureza extraeconômica — a violência que imobiliza o trabalho, ontem pela escravidão, hoje pelo veto à terra e pela pólvora nas favelas.
Em 2003, Lula o chamou para a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Naquele momento, Soares embalou sonhos ampliados, não era mais um ente importante da Federação; ele seria o principal formulador de política pública da União, de um país castigado pela insegurança que rouba a cidadania. Saiu deste cargo, também por pressão política.
Há um Brasil que ele leu melhor que os manuais. O Brasil onde o povo, para nomear o aparelho que o vigia, o explora e ocasionalmente o mata, não diz “o Estado” nem “a polícia”: diz Eles. Pronome vago para uma alteridade poderosa, linguagem lacunar em que se cifra a luta de classes num país de sincretismos que tudo diluem.
É a mesma intuição que faz a antropologia séria há um século: que sociedade alguma é primitiva ou atrasada, que cada cultura organiza seu próprio sentido, que o observador que despreza o nativo nada compreende. Soares nunca precisou citar esses mestres para operá-los; ele os pensa em português, com sotaque carioca, diante de favelas cercadas.
O roteiro continuou rodando depois dele, e piorou: Garotinho, condenado e preso. Sérgio Cabral, sucessor de seus aliados, hoje réu condenado em dezessete ações, com penas que somam mais de duzentos e setenta anos. Pezão, o vice que o seguiu, preso ao fim do mandato por receber mesada de propina. Witzel, eleito com o discurso da moralidade e da bala na cabeça, afastado em pouco mais de um ano sob acusação de desviar verba da saúde na pandemia.
Por último, o atual flagelo do Estado do Rio: Cláudio Castro, que herdou o palácio e, diante dos tiroteios da Avenida Brasil, encontrou a palavra mágica — terrorismo — para rebatizar de guerra o que sempre foi abandono. Todos os governadores eleitos no Rio nos últimos trinta anos foram presos ou tirados do cargo. De 2003 a 2025, as ações policiais no estado do Rio mataram 23.159 pessoas. É preciso dizer algo mais?
Leia Mais...»BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Uma leitura de Paideia, a formação do homem grego
O sexto texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, “Uma leitura de Paideia, a formação do homem grego”, publicado na revista Matraga em 1987, é uma resenha da segunda edição brasileira do livro de Werner Jaeger, publicada em 1986 pela Martins Fontes e a UnB.
Ao longo do século XX, poucos livros exerceram tanta influência sobre os estudos da cultura clássica quanto Paideia. Reconstruindo a formação dos ideais de educação da Grécia antiga, o livro investiga a articulação entre o processo histórico da formação do homem grego e o processo espiritual a partir do qual os gregos elaboraram seu ideal de humanidade. Nesta resenha, Luiz Eduardo Soares, entre outras questões, chama atenção para o estatuto paradoxal do individualismo emergente dessa formação, que, embora antecipe certas condições de possibilidade do indivíduo moderno, o faz no interior da comunidade, e não em oposição a ela. Há, de fato, ainda muito o que aprender nessa conversa.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Uma topologia cruel: religiosidade, hermenêutica e finitude
“Uma topologia cruel: religiosidade, hermenêutica e finitude” é o quinto texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, publicado originalmente em 1986, na revista Religião e Sociedade, e republicado em 1994 no livro O Rigor da indisciplina.
A partir de uma experiência pessoal de perda, Luiz Eduardo Soares analisa a hermenêutica como uma prática que atravessa a narrativa, a memória, a teoria e o comportamento inconsciente do cotidiano. Ao acompanhar os esforços humanos para atribuir sentido à ausência e à finitude, o autor questiona as fronteiras entre reflexão intelectual e experiência comum e transforma seu próprio texto em laboratório de investigação, submetendo a interpretação aos mesmos limites e paradoxos que procura compreender.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais.
Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Os Impasses da Teoria da Cultura e a Precariedade da Ordem Social
Trazemos hoje o quarto texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, “Os Impasses da Teoria da Cultura e a Precariedade da Ordem Social”, publicado em 1984 na série Cadernos do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (Unicamp).
Revisitando um debate aparentemente superado, Luiz Eduardo Soares reconstrói os caminhos que aproximaram as ciências sociais da linguística e da filosofia da linguagem, trazendo à tona os pressupostos estruturalistas que orientaram grande parte da reflexão sobre a cultura no século XX. Mas é justamente nos limites desse paradigma que emerge a questão fundamental do ensaio: como é possível o ato não determinado estruturalmente? Ao recuperar o problema da indeterminação da subjetividade, o autor recoloca em cena a precariedade da ordem social, como uma característica constitutiva de sua formação.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais.
Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – As bases da desobediência legítima segundo Hobbes, Locke, Hume, Rousseau, John Stuart Mill e Burke
“As bases da desobediência legítima segundo Hobbes, Locke, Hume, Rousseau, John Stuart Mill e Burke” é o terceiro texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares. Escrito em 1982, o ensaio foi originalmente publicado em 1989 na série Estudos, nº 69, do Iuperj, sendo mais tarde republicado nos livros Os Dois Corpos do Presidente, de 1993, e Legalidade Libertária, de 2006.
No texto, Luiz Eduardo realiza um amplo balanço da teoria política moderna a partir do problema da desobediência legítima à autoridade pública, discutindo a controvérsia, no pensamento dos autores em questão, acerca dos fundamentos da obrigação política, da legitimidade do poder, da preservação da ordem constitucional e da própria constituição do Estado moderno.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares – Campesinato e Capitalismo
Publicamos hoje o segundo texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, “Campesinato e Capitalismo”, originalmente capítulo do livro Campesinato: ideologia e política, de 1981.
O texto nos convida a rever a questão agrária a partir das contradições vividas pelo campesinato no Brasil. Numa formação social em que predomina o modo de produção capitalista, argumenta o autor, o campesinato não pode ser compreendido nem como resíduo pré-capitalista, ou não capitalista, nem como simples engrenagem funcional ao capital. Articulando teoria marxista, crítica ao estruturalismo e um estudo etnográfico de Bom Jesus, o autor revela como a relação entre capitalismo e pequena produção agrícola é muito mais complexa, ambígua e politicamente disputada do que sugerem as interpretações tradicionais.
Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto, clique aqui. Boa leitura!
BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares
A BVPS apresenta sua nova série Autorais, que tem a honra de publicar uma seleção de textos de Luiz Eduardo Soares, uma das maiores referências do debate sobre a segurança pública no país.
Luiz Eduardo Soares construiu uma trajetória acadêmica singular, que não se deixa domesticar pelas fronteiras da especialização e transita com o “rigor da indisciplina” entre a universidade e o campo da gestão estatal. Uma grande curiosidade intelectual indomável aliada a um senso de justiça pública e participativa talvez seja o fio que percorre tantas contas diferentes nessa trajetória desafiante, múltipla, colorida, única – na qual o trabalho intelectual nunca se separa do compromisso ético com a realização dos direitos humanos.
Agradecemos a Luiz Eduardo Soares por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS uma amostra de seu pensamento crítico e provocador.
A seleção de textos da série reúne diferentes momentos decisivos desse percurso, de ensaios já clássicos a escritos ainda inéditos. Mudam os objetos, mas permanece a preocupação com os modos pelos quais a sociedade e seus outros produzem sentido, legitimam ordens e enfrentam a precariedade constitutiva da experiência humana.
Leia Mais...»







