*Meu nome é Luiz Eduardo Soares*. Talvez as pessoas mais velhas se lembrem de minha luta pela transformação da segurança pública do Rio de Janeiro, em 1999…
Meu nome é Luiz Eduardo Soares. Talvez as pessoas mais velhas se lembrem de minha luta pela transformação da segurança pública do Rio de Janeiro, em 1999. No ano 2000, acabei derrotado pela banda podre das polícias e tive de sair do país com a família.
Antes de sair, eu disse que se a gente não enfrentasse o crime dentro das polícias, as milícias se fortaleceriam, por fora e por dentro das instituições do Estado, e levariam o Rio pro fundo do poço.
Luiz Eduardo Soares conta como foi monitorado por ordem do atual ministro do STF e critica instrumentalização da Corte
10 de setembro de 2026
19:24
Por Maira Escardovelli
“Escândalo de natureza golpista” é como o antropólogo, cientista político, escritor e ex-secretário Nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares traduz o momento de crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte monopoliza as atenções da opinião pública desde que o ministro André Mendonça retirou, no dia 1° de setembro, o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens trocadas entre o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Na avaliação de Soares, que ocupou o cargo no Ministério da Justiça no primeiro mandato de Lula como presidente, Mendonça está usando suas prerrogativas para interferir no pleito eleitoral.
“O timing de cada vazamento selecionado, de cada suspensão de sigilo, promovendo a disseminação de indícios que se convertem imediatamente em condenações, afetam e inclinam a opinião pública. O problema não é cada decisão em si mesma, mas o timing preciso de sua divulgação, produzindo uma narrativa com potencial explosivo, politicamente. Trata-se da instrumentalização institucional com propósito criminoso de incidir na dinâmica política numa conjuntura que se aproxima do momento do voto, momento que não é fugaz, que gera efeitos irreversíveis”, explica Soares.
Antropólogo analisa como uma tríade – clientelismo armado, milícias e captura institucional – forjou o ultradireita, contando com o “realismo político” de parte da esquerda. Diálogo e pluralidade, diz, são antídotos ao vírus impotência coletiva
Luiz Eduardo Soares em entrevista a Thiago Gama
No ano de 2026, a restauração trumpista reconfigura mapas e desarticula a própria gramática da diplomacia liberal — e o Rio de Janeiro, neste cenário, não como um enclave de exceção, mas como um dos laboratórios biopolíticos mais avançados da necropolítica do descarte no Sul Global. O que se testemunha é uma inversão topográfica definitiva: a falência da promessa civilizatória da capital diante de uma Baixada Fluminense que, longe de ser um resíduo do passado, colonizou o centro do poder com sua lógica de mandonismo armado e clientelismo despótico. Esta metástase institucional revela que a transição democrática brasileira foi um simulacro geográfico; o “gangsterismo mafioso” das periferias não apenas infiltrou o Estado, mas converteu-se na sua própria infraestrutura logística.
O Boletim Lua Nova publica um ensaio sobre o novo livro de Luiz Eduardo Soares, Escolha sua distopia (ou pense pelo avesso). Agradecemos ao autor pelo texto e pela reflexão indispensável que oferece para compreender o cenário político nacional.
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O livro “Escolha sua distopia (ou pense pelo avesso)”1 gira em torno de algumas perguntas: Como chegamos até aqui? Por que o Rio de Janeiro foi o berço do neofascismo? O que isso tem a ver com a perda de controle sobre as polícias e a emergência das milícias? Por que segurança pública é uma questão política central para o país? Como se relacionam a moeda, o fetichismo da mercadoria, a violência e o capitalismo? Qual o nexo entre genocídio racista e compulsão à repetição? Direito e psicanálise se escutam? Por que 2013 ainda é uma esfinge? Quais os obstáculos ao diálogo intergeracional no ambiente de intelectuais e ativistas? Como pensar o humanismo depois de sua derrocada? Ou, em outras palavras, como escapar tanto do humanismo universalista, quanto das armadilhas do relativismo, exorcizando, na medida do possível, o senso comum, inimigo do conhecimento e da reflexão crítica?
Para mascarar a finitude e evitar os riscos da construção de um futuro comum, Brasil pode, como Fernando, condenar-se à indiferença e solidão. Mas se o país é capaz desse filme, pode salvar-se do enredo medíocre e decadente em que se meteu
A metamorfose de Wagner Moura nas cenas finais de O Agente Secreto insinua paradoxos que oferecem pistas formidáveis para a identificação do enigma que nós somos -nós, o formigueiro magnífico cravado nos trópicos. Nomear o enigma, acercar-se dele, não significa desvendá-lo, mas talvez nos deixe mais perto do cão sem plumas e do coração selvagem das coisas que perdemos no fogo. Perto o suficiente para impedir que continuemos a negar sua existência. Perto o bastante pra sentir o cheiro de enxofre e queimar as pontas dos dedos. O incêndio guardado na caixinha de música da vovó é a mais poderosa arma de destruição em massa -como o cinema feroz e delicado, arrebatador e rigoroso, popular e sofisticadíssimo de Kleber Mendonça. Afinal, se nosso país é capaz desse filme, é perfeitamente capaz de salvar-se do enredo medíocre e decadente em que se meteu.
Para o antropólogo e cientista político, a projeção internacional sob Lula, especialmente com o BRICs é o “nó fundamental” que desperta a reação das elites
O antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares avaliou, em entrevista ao programa Giro das Onze, que a liderança de Lula representa uma força única na política brasileira, capaz de resistir a pressões internas e externas. Para ele, o ponto central da intolerância das elites em relação ao presidente não está apenas nas políticas sociais, mas na projeção internacional do Brasil.
Com mais de quatro décadas dedicadas ao estudo da violência e à área da segurança pública, o antropólogo, cientista político e escritor Luiz Eduardo Soares lança Escolha sua distopia(ou pense pelo avesso), editora Edições 70, livro que reúne 13 artigos, ensaios e um depoimento pessoal. A obra articula pesquisa acadêmica, experiência em gestão pública e escrita literária para refletir sobre os caminhos da democracia e os impasses da sociedade brasileira diante do avanço do autoritarismo.
O lançamento acontece nesta sexta-feira (1º), às 18h, no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). A atividade integra o debate “Segurança cidadã e democracia”, promovido pelo Instituto Novos Paradigmas (INP) e o Democracia e Direitos Fundamentais (DDF). Participam da mesa o ex-ministro da Justiça e ex-governador do RS, Tarso Genro; o mestre em Sociologia e jornalista Marcos Rolim; e a socióloga Bruna Koerich. A mediação será feita pela jornalista e doutora em comunicação Sandra Bitencourt.
Tinha a ditadura prendendo e arrebentando, tinha o valoroso pessoal resistindo a sério e tinha o lado B, gente desbundando, ousando, delirando, contra o autoritarismo & a caretice.
SARAU MEMÓRIAS DA DITADURA – LADO B recebe o antropólogo, cientista político e escritor LUIZ EDUARDO SOARES. Com a bancada da casa, LUÍS AUGUSTO FISCHER, DIEGO GRANDO e KATIA SUMAN numa vibe sexo, drogas & rock’n’Raul. canja – Ana Matielo
SARAU MEMÓRIAS DA DITADURA – LADO B – 29.07.25
Ocidente 20h
ingressos: 40 pila
Antecipados via pix: katia@radioeletrica.com
Enviar comprovante para o mesmo email.