Sinais de inundação: Safatle e os refugiados da linguagem
Para revisita Cult 28/05/24
Nada mais frívolo do que evocar minha emoção, quando se trata de introduzir a futuros leitores/leitoras (ou releitoras) uma obra extraordinária, que faz o pensamento triunfar sobre tantos desabamentos de que presta testemunho – desde logo a ruína da linguagem em que se arma a trama do capitalismo. Capitalismo que se reifica e naturaliza, inscrevendo-se nos sujeitos como medida de realidade, virtude e beleza, confundindo-se – transparente – com a razão, esgotando o campo do possível, abolindo o desejo e a insubmissão revolucionária. Que seja frívolo e impertinente, e desproporcional, considerando-se a magnitude do gesto que deu à luz este alfabeto de colisões, ainda assim ouso convocar aqui essa emoção íntima, fútil, doméstica, tão pequena e débil: a emoção que tantas vezes me impediu de seguir lendo o livro de Vladimir, por um encantamento de que, em meu caso, só a arte fora capaz – um encantamento que é desmesura e perturbação, perturbação que rima com autorização para ousar.
Leia Mais...»O POETA MATUTINO PALITA MOLARES E CANINOS EM COPACABANA
Para Revista Z Cultural
A marca de nosso tempo, seu umbral – a grave fronteira que cumpre atravessar, arrastando trapos, ruínas, culpas e esperanças –, o signo por excelência – a celebrar, inverter e esconjurar –, a referência paradigmática de nossos dilemas, pessoais e coletivos, o centro, o novo e arcaico centro gravitacional para as cosmologias em trânsito, o eixo que ordena o regime de afetos e afia o gume das horas, a marca, portanto, de nosso tempo é Fausto.
Leia Mais...»Madona e o Dilúvio
(5/05/24)
Luiz Eduardo Soares
Soube que o show da Madona foi um verdadeiro exorcismo da caretice, do reacionarismo, do fundamentalismo que infestou o Brasil e ensaiou um golpe de Estado. Leiam o lindo post de Ivana Bentes. Mas, infelizmente, nem deu tempo de curtir e celebrar, porque o Rio Grande do Sul está sendo devastado pela maior tragédia ambiental de sua história, que é também desastre social, porque o peso maior dessas crises recai desigualmente sobre os mais pobres, embora afete todo mundo.
Leia Mais...»A hora de livrar o Rio da tirania das milícias
Bruno Paes Manso, Luiz Eduardo Soares, Daniel Hirata* e Rafael Soares 28 Abril 2024 |
No dia 24 de março, a Polícia Federal prendeu três suspeitos de ser os mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Desde que o crime ocorreu, em 14 de março de 2018, foram mais de seis anos de espera, uma longa jornada cheia de idas e vindas, que escancarou o grau de degradação institucional no Rio de Janeiro.
Os detidos são centrais na vida pública e institucional fluminense. O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Domingos Brazão começou na política em 1997, como vereador. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual — e só saiu da Assembleia Legislativa em 2015, após cinco mandatos consecutivos, para fiscalizar (ou acobertar) no TCE seus antigos aliados.
Luiz Jorge Werneck Vianna (1938-2024)
Por LUIZ EDUARDO SOARES*
Nota de homenagem ao sociólogo carioca recém-falecido
Amigos e amigas, perdemos, ontem, 21 de fevereiro, um gigante: Luiz Jorge Werneck Vianna, aos 86 anos. Uma vida inteira dedicada a pensar o Brasil e a mudar esse país tão desigual e violento. Foi ele que me recebeu no partido comunista brasileiro nos anos 1970, na clandestinidade. Foi ele quem me ensinou a analisar a conjuntura, distinguir tática e estratégia, reler Karl Marx e Antonio Gramsci com os olhos postos no presente, sem dogmatismos.
Leia Mais...»As palavras apodrecem
20/02/2024
Por LUIZ EDUARDO SOARES*
As palavras estão vazias, evocam mas não substituem os corpos empilhados em Gaza, apodrecendo em Gaza
O mais dilacerante sofrimento humano não é nomeável, descritível, muito menos mensurável. Transborda os limites da linguagem e de qualquer medida. Sua natureza é a incomensurabilidade. Por isso, quando provocado, este sofrimento, por ações alheias evitáveis, não pode ser justificado, não cabe em nenhuma sequência moralmente motivada de atos.
Leia Mais...»A democracia brasileira não vai à praia no Rio
Revista Forum, 26/12/23
“Não há inocentes na periferia, nas favelas não há, assim como em Gaza. Cancelem as linhas de ônibus, murem os morros, invadam as favelas, exterminem os malditos. Pau nos moleques, essa é a língua que eles entendem”.
Dedicado a Manuel Domingos, Pedro Celestino e André Castro
GLO, péssima ideia – Manuel Domingos Neto e Luiz Eduardo Soares
Para o site Revista Forum e Jornal GGN em 7/11/23
O maior especialista na questão militar e o maior especialista em segurança pública do Brasil escrevem sobre a GLO decretada pelo presidente Lula: “Confundindo funções diferentes, o governo fragiliza a Defesa do Brasil e desprotege a cidadania”.
Mais uma vez, o Estado brasileiro faz o militar agir como policial. Alimenta a permanente crise de identidade das Forças Armadas e das corporações policiais.
Agora, o Exército não está nos espaços reservados aos sobreviventes da escravidão, da matança dos povos originários e da “vadiagem”. Mas a Marinha e a Aeronáutica atuam em portos e aeroportos, desperdiçando recursos públicos em atividades distantes de sua destinação precípua.
Leia Mais...»“O Rio está farto de GLOs, ocupações e intervenções militares”, diz ex-secretário de Segurança Nacional
Entrevista para o portal Geledés, 03/11/23
Segundo Luiz Eduardo Soares, a cada nova intervenção militar, estreitam-se a capacidade e a credibilidade do Estado de direito, e se expandem ocupações de territórios por grupos criminosos, tiranizando as populações locais.
Luiz Eduardo Soares, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública na primeira gestão do governo Lula, é um dos mais respeitados profissionais e estudiosos da área. Antropólogo, cientista político e escritor, ele se debruça nesta entrevista a Geledés a fazer extensa análise sobre os motivos da recente onda de violência que assolou o País e as recém anunciadas medidas pelo Ministério da Justiça para combatê-la.
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