Raul Jungmann
Morreu meu amigo Raul Jungman. Viemos do mesmo campo político, ao longo do caminho nos separamos, passamos a pensar diferente, mas nunca deixamos de gostar um do outro, de nos respeitar, de passar juntos bons momentos, de sentir prazer no convívio, mesmo com as diferenças e até por conta delas, de aproveitar o conhecimento um do
outro, que sempre soubemos valorizar. Há muitos anos conheci seu filho Bruno, uma pessoa adorável, maravilhosa, encantadora, que se tornaria um fotógrafo de grande talento. Bruno morou em nossa casa, minha e de Miriam, e se tornou nosso afilhado, parte de nossa família, que, por extensão, incluiu sempre Patricia. Raul me ligava todo domingo à noite, quando era ministro da segurança. Me falava de sua perplexidade, de seu espanto. Conversávamos horas a fio. Ele nunca deixou de ser uma pessoa dos direitos humanos, nunca renegou sua origem, e sempre foi, acima de tudo, um político democrata e do diálogo. Um construtor de pontes. E sempre acreditou no país, no povo brasileiro. Quando Marielle foi assassinada, eu estava em Londres, acompanhando Miriam, que foi a trabalho. Natalia nos avisou da tragédia e eu liguei imediatamente pra ele. Estávamos todos arrasados, ele também. Viemos pro Rio e ele veio à nossa casa, encontrar-se conosco e com Marcelo Freixo. Era preciso reagir, fazer justiça. Passamos juntos muitos momentos difíceis. Eu o chamava de general, brincando, ele me chamava de marechal. Minha amizade com Raul foi sempre maior que nossas divergências, e não eram poucas. Isso explica por que me sinto assim tão triste, querendo abraçar o Bruno e toda a família.
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