RIO – Ex-secretário nacional de Segurança, o antropólogo Luiz Eduardo Soares discorda do modelo de encarceramento adotado no Brasil. Para ele, o sistema prisional como está é incapaz de ressocializar os detentos. Segundo ele, nem sempre o aumento do efetivo policial resulta em queda dos índices de criminalidade. Soares defende mudanças no processo de execução penal e maior treinamento dos policiais.
A terra treme no país de desigualdades e paradoxos
Link para o artigo publicado no Los Angeles Review of Books>>
(com tradução na sequência do teto em inglês)
Hora Zero no relógio popular
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político, escritor e professor da UERJ)
A sociedade brasileira tomou as ruas e sequestrou para si o título que lhe custara bilhões de reais e, por decisões autocráticas, a excluíra: o grande evento. Centenas de milhares de pessoas deslocaram o campo de futebol para o meio da rua e vestiram a camisa do país, assumindo inaudito protagonismo histórico. Resta ao intérprete calçar as sandálias da humildade e admitir sua ignorância e perplexidade ante o fenômeno radicalmente novo. O interesse público fora confiscado pela tecnocracia, aliada a empreiteiras e subserviente à tutela arrogante (e voraz) da Fifa. Os então chamados “grandes eventos” serviram de justificativa para lucros extraordinários e a festa da especulação imobiliária, sob a retórica do legado social, enquanto a mobilidade urbana tornava-se, crescentemente, uma contradição em termos. A massa rompeu expectativas e a tradição de apatia, e inventou um movimento que será, por suas lições e seus efeitos, o verdadeiro legado às gerações futuras. A narrativa passou a ser escrita, nas ruas e nas redes virtuais, por milhões de mãos e vozes, desejos e protestos, inscrevendo seus autores na cena global, em diálogo com outras praças, outras multidões, outras lutas. A sociedade virou o jogo.
Leia Mais...»Entrevista a Angela Faria, no caderno Pensar do Estado de Minas
Entrevista a Angela Faria, no caderno Pensar do Estado de Minas – publicado em 22 de junho, 2013
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político e escritor, professor da UERJ)
As perguntas são as seguintes:
(1) Que lições a moçada está dando ao país? Diz-se que a “desorganização” do movimento deles pode levar: 1º) a nada. 2) ao reforço de posturas conservadoras, dos “neocons” verde-amarelos. Você concorda?
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares: o que vem depois da queda da tarifa?
O movimento dependerá da capacidade de não confundir rejeição ao atual sistema político-partidário com recusa da democracia. É urgente incluir na agenda a refundação do modelo policial.
Por Luiz Eduardo Soares
Há uma semana escrevi sobre o movimento pelo “passe livre” (www.luizeduardosoares.com), chamando a atenção para o fato de que o novo surpreende e assusta, porque rompe a estabilidade das expectativas, coloca em xeque nossos esquemas cognitivos, revela a precariedade da ordem social e evoca o espectro de nossa finitude. Somos levados a reconhecer que não apenas a vida humana é frágil como aquilo que chamamos “realidade” é débil e movediço. Por isso, o desconhecido tende a suscitar em nós reações defensivas e explicações que funcionam como a confirmação do que já se sabe — ou se supõe saber. Se o propósito é conhecer, devemos buscar, com humildade, a compreensão autorreflexiva e a desnaturalização das descrições correntes. Até porque todo esforço de entendimento é também ação política.
Leia Mais...»O que eu sei e o que não sei sobre as manifestações pelo passe livre
Luiz Eduardo Soares
Diante de um fenômeno que rompe a rotina e surpreende a expectativa de estabilidade, as reações individuais são as mais variadas. Entretanto, de um modo geral, o primeiro impulso é defensivo e visa a auto-conservação. Qualquer mudança nos ameaça porque traz consigo a fantasia de que nosso mundo pessoal tão precário e incerto está em risco e pode ruir a qualquer momento. Essa fantasia provém da radical insegurança que nos é constitutiva, seres mortais que somos. Não apenas a vida humana é frágil como aquilo que chamamos “realidade” é débil e movediço. Para sustentar-se, nossa “realidade” precisa dos outros, do olhar alheio, de seu reconhecimento, de sua confiança, da reiteração de manifestações de amor, amizade e respeito. A “realidade” depende das redes sociais que tecem afetos, valores, símbolos e ideias, tudo isso embrulhado em narrativas cotidianas verossímeis para o conjunto dos interlocutores.
Leia Mais...»Entrevista com Luiz Eduardo Soares Dossiê Segurança Pública e Violência
Esta entrevista foi realizada em 7 de janeiro de 2013, no Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, tendo como entrevistadores Paulo Jorge Ribeiro, Marcelo Bauman Burgos, Luiz Fernando Almeida Pereira e Valter Sinder. Luiz Eduardo Soares é formado em Literatura pela PUC-Rio, possui mestrado em Antropologia pelo Museu Nacional da UFRJ e doutorado em Ciência Política pelo IUPERJ. Foi professor da UNICAMP e um dos fundadores da área de pesquisas sobre violência do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Foi pesquisador e professor também nos Estados Unidos, em instituições como o Vera Institute of Justice de Nova York, Columbia University, Harvard University, University of Virginia, University of Pittsburgh e Columbia University. É professor da UERJ e coordena o curso à distância de gestão e políticas em segurança pública, na Universidade Estácio de Sá. Entre sua vasta produção acadêmica, destacam-se Meu casaco de general: 500 dias no front da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (Companhia das Letras, 2000); Cabeça de porco (com MV Bill e Celso Athayde, Objetiva, 2005); Elite da tropa (com André Batista e Rodrigo Pimentel, Objetiva, 2006); Elite da Tropa 2 (com André Batista, Rodrigo Pimentel e Claudio Ferraz, Nova Frontera, 2010); Segurança tem saída (Sextante, 2006), Justiça (Ediouro, 2011), Tudo ou Nada (Ediouro, 2011), entre outros livros e artigos, no Brasil e no exterior. Possui um romance, O experimento de Avelar (Relume Dumará, 1997), além de produção dramatúrgica e ensaística. Também é um dos mais importantes gestores e planejadores brasileiros na área de segurança pública, tendo sido coordenador desta área no governo de Anthony Garotinho (RJ), entre 1999 e 2000, com também a Secretaria Nacional de Segurança Pública durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Ocupou cargos também nos municípios de Porto Alegre (RS) e Nova Iguaçu (RJ).
Homicídios: ex-secretário nacional de Segurança critica sistema prisional
Antropólogo Luiz Eduardo diz que nem sempre o aumento do efetivo policial resulta em queda dos índices de criminalidade
FÁBIO VASCONCELLOS
O GLOBO
Políticas e Gestão em Segurança Pública – EAD
Ampliar o número de profissionais nesse segmento com formação de Especialistas em Segurança Pública. Articular o conhecimento
prático dos profissionais de Segurança Pública, adquiridos no seu dia-a-dia profissional, com os conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico. Difundir e reforçar a construção de uma cultura de Segurança Pública fundada nos paradigmas da modernidade, da inteligência, da informação e do exercício de competências estratégicas, técnicas e científicas.Incentivar a elaboração de estudos, diagnósticos e pesquisas aplicadas em Segurança Pública que contribuam para o processo de institucionalização do SUSP e implementação de ações consideradas prioritárias em Segurança Pública. Enfatizar o tema das políticas e das práticas de Segurança Pública em relação aos direitos humanos, à violência de gênero, à liberdade de orientação sexual e enfrentamento da homofobia e à igualdade racial.
Prêmio Faz Diferença – O GLOBO
PROSA & VERSO Premiada: Flupp (Festa Literária Internacional das UPPs)
Com debates, música, leituras e um livro com novos autores das periferias, evento levou grandes nomes ao Morro
dos Prazeres para conversarem sobre suas obras
Foi durante suas andanças pelas periferias que o escritor Julio Ludemir percebeu que os desejos de consumo de seus moradores iam além de roupas ou eletrodomésticos. A inclusão de milhões de pessoas no mercado consumidor na última década e o surgimento da nova classe média também provocavam, observava ele, uma sede imensa de literatura.
Inspirado pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Ludemir queria explorar o que chamou de “expansão da cidade literária”. Ele se juntou com novos parceiros para conceber a Festa Literária Internacional das UPPs (Flupp), que teve a sua primeira edição em 2012, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa: Écio Salles, ex-secretário de Cultura de Nova Iguaçu; o antropólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Luiz Eduardo Soares; e Heloisa Buarque de Hollanda, crítica literária e professora da UFRJ — vencedora do prêmio Faz Diferença em 2007.
Leia Mais...»Entrevista sobre cotas nas universidades para o site Nota de Rodapé
Preto no branco
Sabe quando seus olhos ou ouvidos batem em algo que salta da página, ecoa na cabeça e fica atormentando o juízo? Aconteceu comigo há algumas semanas, quando li um comentário de duas linhas na geleia geral do Facebook. Transcrevo: “Por anos lecionei só na Pós. Este ano, voltei à graduação da UERJ. O resultado das cotas para negros é tão maravilhoso, que me emociono toda semana.” O autor do comentário era Luiz Eduardo Soares, antropólogo, escritor, dramaturgo e gestor público com importante atuação em todas essas áreas.








