RIO – Ex-secretário nacional de Segurança, o antropólogo Luiz Eduardo Soares discorda do modelo de encarceramento adotado no Brasil. Para ele, o sistema prisional como está é incapaz de ressocializar os detentos. Segundo ele, nem sempre o aumento do efetivo policial resulta em queda dos índices de criminalidade. Soares defende mudanças no processo de execução penal e maior treinamento dos policiais.
Entrevista ao el diario Miradas al Sur (Argentina)
Luiz Eduardo Soares
Mariano Zamorano
Entre los más de 15 libros que escribió Luiz Eduardo Soares figuran aquellos que dieron origen a las películas Tropa de Elite, que describieron
con crudeza el interior “del grupo pequeño y cerrado, compuesto por 150 hombres, entrenado para ser la mejor tropa guerrera urbana del mundo”: el Batallón de Operaciones Policiales Especiales (BOPE). Sus participaciones como coordinador de Seguridad, Justicia y Ciudadanía de Río de Janeiro y secretario nacional de Seguridad Pública causaron revuelos por denuncias de corrupción dentro de las distintas fuerzas policiales. Invitado a la Argentina para participar del Festival Buenos Aires Negra (BAN), Soares descartó una tercera parte de Tropa de Elite, habló del significado de investigar a la policía en Brasil, opinó sobre la actualidad del país luego de las masivas protestas en las calles y su visión sobre el fracaso de la política de guerra contra las drogas.
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Com os olhos do mundo voltados para o Rio de Janeiro, quando a cidade é palco de eventos mundiais esportivos e religiosos, os manifestantes que

Luiz Eduardo Soares: “O centro nevrálgico da criminalidade violenta no Rio de Janeiro é a degradação de nossas polícias”
tomam as ruas parecem conseguir mais alcance para seus gritos. Acompanhado por câmeras e repórteres de diversos países, o cenário da cidade, com semelhanças ao quadro de outras do país, pode ter se tornado mais permanente e talvez mais violento. Assim avalia o cientista político Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio (1999-2000), para quem o Brasil vivencia o colapso da representação política.
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Link para o artigo publicado no Los Angeles Review of Books>>
(com tradução na sequência do teto em inglês)
Hora Zero no relógio popular
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político, escritor e professor da UERJ)
A sociedade brasileira tomou as ruas e sequestrou para si o título que lhe custara bilhões de reais e, por decisões autocráticas, a excluíra: o grande evento. Centenas de milhares de pessoas deslocaram o campo de futebol para o meio da rua e vestiram a camisa do país, assumindo inaudito protagonismo histórico. Resta ao intérprete calçar as sandálias da humildade e admitir sua ignorância e perplexidade ante o fenômeno radicalmente novo. O interesse público fora confiscado pela tecnocracia, aliada a empreiteiras e subserviente à tutela arrogante (e voraz) da Fifa. Os então chamados “grandes eventos” serviram de justificativa para lucros extraordinários e a festa da especulação imobiliária, sob a retórica do legado social, enquanto a mobilidade urbana tornava-se, crescentemente, uma contradição em termos. A massa rompeu expectativas e a tradição de apatia, e inventou um movimento que será, por suas lições e seus efeitos, o verdadeiro legado às gerações futuras. A narrativa passou a ser escrita, nas ruas e nas redes virtuais, por milhões de mãos e vozes, desejos e protestos, inscrevendo seus autores na cena global, em diálogo com outras praças, outras multidões, outras lutas. A sociedade virou o jogo.
Leia Mais...»Entrevista a Angela Faria, no caderno Pensar do Estado de Minas
Entrevista a Angela Faria, no caderno Pensar do Estado de Minas – publicado em 22 de junho, 2013
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político e escritor, professor da UERJ)
As perguntas são as seguintes:
(1) Que lições a moçada está dando ao país? Diz-se que a “desorganização” do movimento deles pode levar: 1º) a nada. 2) ao reforço de posturas conservadoras, dos “neocons” verde-amarelos. Você concorda?
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O movimento dependerá da capacidade de não confundir rejeição ao atual sistema político-partidário com recusa da democracia. É urgente incluir na agenda a refundação do modelo policial.
Por Luiz Eduardo Soares
Há uma semana escrevi sobre o movimento pelo “passe livre” (www.luizeduardosoares.com), chamando a atenção para o fato de que o novo surpreende e assusta, porque rompe a estabilidade das expectativas, coloca em xeque nossos esquemas cognitivos, revela a precariedade da ordem social e evoca o espectro de nossa finitude. Somos levados a reconhecer que não apenas a vida humana é frágil como aquilo que chamamos “realidade” é débil e movediço. Por isso, o desconhecido tende a suscitar em nós reações defensivas e explicações que funcionam como a confirmação do que já se sabe — ou se supõe saber. Se o propósito é conhecer, devemos buscar, com humildade, a compreensão autorreflexiva e a desnaturalização das descrições correntes. Até porque todo esforço de entendimento é também ação política.
Leia Mais...»O que eu sei e o que não sei sobre as manifestações pelo passe livre
Luiz Eduardo Soares
Diante de um fenômeno que rompe a rotina e surpreende a expectativa de estabilidade, as reações individuais são as mais variadas. Entretanto, de um modo geral, o primeiro impulso é defensivo e visa a auto-conservação. Qualquer mudança nos ameaça porque traz consigo a fantasia de que nosso mundo pessoal tão precário e incerto está em risco e pode ruir a qualquer momento. Essa fantasia provém da radical insegurança que nos é constitutiva, seres mortais que somos. Não apenas a vida humana é frágil como aquilo que chamamos “realidade” é débil e movediço. Para sustentar-se, nossa “realidade” precisa dos outros, do olhar alheio, de seu reconhecimento, de sua confiança, da reiteração de manifestações de amor, amizade e respeito. A “realidade” depende das redes sociais que tecem afetos, valores, símbolos e ideias, tudo isso embrulhado em narrativas cotidianas verossímeis para o conjunto dos interlocutores.
Leia Mais...»Entrevista com Luiz Eduardo Soares Dossiê Segurança Pública e Violência
Esta entrevista foi realizada em 7 de janeiro de 2013, no Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, tendo como entrevistadores Paulo Jorge Ribeiro, Marcelo Bauman Burgos, Luiz Fernando Almeida Pereira e Valter Sinder. Luiz Eduardo Soares é formado em Literatura pela PUC-Rio, possui mestrado em Antropologia pelo Museu Nacional da UFRJ e doutorado em Ciência Política pelo IUPERJ. Foi professor da UNICAMP e um dos fundadores da área de pesquisas sobre violência do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Foi pesquisador e professor também nos Estados Unidos, em instituições como o Vera Institute of Justice de Nova York, Columbia University, Harvard University, University of Virginia, University of Pittsburgh e Columbia University. É professor da UERJ e coordena o curso à distância de gestão e políticas em segurança pública, na Universidade Estácio de Sá. Entre sua vasta produção acadêmica, destacam-se Meu casaco de general: 500 dias no front da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (Companhia das Letras, 2000); Cabeça de porco (com MV Bill e Celso Athayde, Objetiva, 2005); Elite da tropa (com André Batista e Rodrigo Pimentel, Objetiva, 2006); Elite da Tropa 2 (com André Batista, Rodrigo Pimentel e Claudio Ferraz, Nova Frontera, 2010); Segurança tem saída (Sextante, 2006), Justiça (Ediouro, 2011), Tudo ou Nada (Ediouro, 2011), entre outros livros e artigos, no Brasil e no exterior. Possui um romance, O experimento de Avelar (Relume Dumará, 1997), além de produção dramatúrgica e ensaística. Também é um dos mais importantes gestores e planejadores brasileiros na área de segurança pública, tendo sido coordenador desta área no governo de Anthony Garotinho (RJ), entre 1999 e 2000, com também a Secretaria Nacional de Segurança Pública durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Ocupou cargos também nos municípios de Porto Alegre (RS) e Nova Iguaçu (RJ).
Homicídios: ex-secretário nacional de Segurança critica sistema prisional
Antropólogo Luiz Eduardo diz que nem sempre o aumento do efetivo policial resulta em queda dos índices de criminalidade
FÁBIO VASCONCELLOS
O GLOBO
Políticas e Gestão em Segurança Pública – EAD
Ampliar o número de profissionais nesse segmento com formação de Especialistas em Segurança Pública. Articular o conhecimento
prático dos profissionais de Segurança Pública, adquiridos no seu dia-a-dia profissional, com os conhecimentos produzidos no ambiente acadêmico. Difundir e reforçar a construção de uma cultura de Segurança Pública fundada nos paradigmas da modernidade, da inteligência, da informação e do exercício de competências estratégicas, técnicas e científicas.Incentivar a elaboração de estudos, diagnósticos e pesquisas aplicadas em Segurança Pública que contribuam para o processo de institucionalização do SUSP e implementação de ações consideradas prioritárias em Segurança Pública. Enfatizar o tema das políticas e das práticas de Segurança Pública em relação aos direitos humanos, à violência de gênero, à liberdade de orientação sexual e enfrentamento da homofobia e à igualdade racial.








