‘A brutalidade policial não existiria sem autorização social’
Entrevista feita por Débora Fogliatto do site Sul 21
O antropólogo, cientista político e especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares é um dos mais notáveis defensores da necessidade de se desmilitarizar a Polícia no Brasil. O coautor dos livros Elite da Tropa 1 e 2 (Que deram origem aos filmes Tropa de Elite) defende uma reforma que em sua avaliação não é simples, mas necessária, para que a polícia brasileira seja menos letal e, ao mesmo tempo, cumpra melhor seu papel. Esta questão está intimamente relacionada à superlotação das prisões e à sua falência em recuperar os criminosos, segundo ele.
Leia Mais...»A hora e a vez do pacto republicano
Coluna para o site Justificando publicada em 26/05/2016
Eis o abacaxi: quando, por vias formalmente compatíveis com ditames constitucionais (mesmo havendo notório erro de juízo), um grupo político infestado de mafiosos assume o poder federal (deixo de lado, para efeito de raciocínio, os vínculos evidentes com grandes interesses econômicos), é preciso mobilizar a grande tradição do pensamento político para enfrentar o desafio, cujo caráter é, simultaneamente, intelectual, ético, legal e político. O cidadão democrata e republicano, fiel a seu dever constitucional, ao mesmo tempo indignado ante a gravidade ético-política da conjuntura, coloca-se a pergunta, o que fazer?, posto que já não basta contemplar e opinar. Agir é um imperativo ético e uma necessidade política. Entretanto, sem formular, intelectual ou conceptualmente, a natureza holográfica do abacaxi, em suas múltiplas camadas e dimensões – um monumental abacaxi-em-movimento -, não há como decidir o caminho, como definir o rumo. Nesse momento, a reflexão acumulada da filosofia política ajuda.
Rio de Janeiro review – the dark side of Brazil’s ‘Marvellous City’
Brazil is living through a monumental political, economic and constitutional crisis. From being the darling of the Brics, it is falling harder and faster than all the rest (if you exclude South Africa from the club). This process, triggered by a vast corruption scandal and an overreliance on income from commodities, has rekindled old and perilous political tensions within one of the world’s most unequal countries.
Leia Mais...»The battle for Rio: will the samba city’s murderous crime problem threaten the Olympics?
A Brazilian football hero warned tourists to stay away from the Olympic Games after the shooting of a 17-year-old girl, but the city’s residents can’t escape the endless violence
It was Mother’s Day in Brazil, and Ana Beatriz Pereira Frade was looking forward to seeing her mum. Travelling to Rio de Janeiro’s Galeão airport in the family car, with her stepfather behind the wheel, the 17-year-old and her brother were planning to surprise their mother as she got off her early morning flight. But Ana would never make it to the airport.
On the way there, the car was stopped by a road block set up by armed teenaged bandits who were planning a robbery. Ana’s stepfather tried to drive away to escape the ambush. A shot was fired; for the young girl, it proved fatal.
Leia Mais...»Facebook post ainda sobre impeachment e Temer – 17/05/2016
Digamos que você saiba, sem margem para dúvida, que alguém matou cinco pessoas e agora está sendo julgado por um assassinato que, você também tem certeza, não cometeu. Você, membro do juri, condenaria ou absolveria o réu? Eu e quem aplicasse constitucionalmente o direito absolveríamos. Em sua esmagadora maioria, quem defendeu o impeachment fez o contrário do que eu faria: mirou o petrolão alvejando as pedaladas. Erro judicial, pelo motivo referido, e erro político, por várias razões: (1) legitima o procedimento que instrumentaliza o direito, ainda que o fizesse buscando realizar fins em si mesmos justificáveis; (2) transfere o poder para o lado B da máfia, o mais voraz e dependente de grandes interesses predatórios, racistas, misóginos, homofóbicos; (3) vitimiza vilões, sócios dos algozes, agora por estes traídos.
Leia Mais...»Respiração artificial: Sobre o impeachment e suas implicações
Publicado no caderno Ilustríssima da Folha de São Paulo em 24/04/2016
RESUMO O antropólogo, ligado à Rede Sustentabilidade, critica discurso sobre o “golpe” e reafirma a ideia de que conservadores e progressistas podem conviver numa democracia. Seria possível encontrar laços potenciais e referências políticas e morais a compartilhar, apesar da difusão da ideia de que o país se encontra dividido.
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Parece haver um consenso sob os escombros da política brasileira, um acordo tácito abaixo da linha de fogo: todos reconhecem que a atmosfera está envenenada pelo ódio e por polaridades radicalizadas. Isso torna útil o serviço da perícia. Está na hora de recolher vestígios e mapear rastros, na expectativa de que nos levem ao mapa da mina.
Em nosso caso, a mina de ouro não está nos extremos furiosos e enrijecidos, mas nos canais submersos que os ligam e separam, como se fossem vasos minúsculos de comunicação, dando passagem a movimentos imperceptíveis de transição, nos quais se introduzem nuances e gradações. Essa cartografia dinâmica talvez possa, uma vez explorada, municiar os atores dispostos a construir pontes e parâmetros para a concertação que se imporá, em algum momento –ou não teremos país algum.
Leia Mais...»Sou contra o impeachment porque penso no dia seguinte
Publicado no site justificando.com em 12/04/2016
Amig@s, não tenho a intenção de demonizar ninguém que seja a favor do impeachment, tenho muitos amigos favoráveis e a maioria de meu partido prefere o impeachment. Quero apenas compartilhar as razões pelas quais sou contra, razões que tenho repetido há meses, em textos e debates públicos. Aprovado o impeachment, no dia seguinte, a mídia vai clamar por uma trégua para que o novo presidente possa trabalhar em paz e para que a economia se reequilibre. O ministro Gilmar Mendes, novo presidente do TSE, vai empurrar com a barriga o processo contra a chapa Dilma-Temer, para não desestabilizar o novo governo. Dirá: “O Brasil não aguenta outra queda de presidente”. Editorialistas escreverão: “A economia não resistirá a uma nova perturbação da ordem. Deixem as eleições para 2018. Agora, todos devem dar uma trégua ao presidente Temer. Agora, vamos trabalhar para restabelecer a confiança e reeguer a economia”.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares defende uma nova estrutura para Segurança Pública
Nos últimos anos, a melhoria na segurança pública brasileira tem sido um dos principais desafios de todas as esferas governamentais. Somente em 2014, 58.559 brasileiros foram mortos de forma violenta, um aumento de 4,8% em relação a 2013, segundo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O aumento da criminalidade, sensação de insegurança, superpopulação carcerária,ineficiência das investigações e a morosidade da justiça colocam em xeque a atual estrutura, exigindo mudanças, inclusive na área policial.
Pesquisa realizada em 2009 pelo doutor em Ciência Política e Ex-secretário Nacional de Segurança, Luiz Eduardo Soares, mostra que 70% dos profissionais de segurança pública no Brasil (quase 800 mil, incluindo todos os segmentos policiais e agentes penitenciários) são contrários ao atual modelo de polícia brasileira.
Luiz Eduardo Soares é professor da UERJ e coordenador do curso à distância de gestão e políticas em segurança pública, pela Universidade Estácio de Sá, também responsável pela nova plataforma “mudamos.org”, que abre espaço para esse debate, A participação da sociedade civil e profissionais da área permitirá um documento que será levado a deputados e senadores.
Defensor da Proposta de Emenda Constitucional- PEC 51, que reestrutura o modelo atual de polícia, Luiz Eduardo Soares acredita que no Brasil foram pouquíssimos e insuficientes os avanços neste setor.“Neste período ficou evidente que o país não pode mais conviver com a arquitetura institucional e o modelo policial determinado pelo artigo 144 da Constituição. Por isso, ajudei a elaborar e defendo a PEC 51, apresentada pelo senador Lindbergh Farias, em 2013”, comenta. “O que, hoje, no Brasil, podemos dizer que funciona e conquistou respeito, confiança, apreço na área de segurança?”, questiona.
Em sua opinião, apesar da Polícia Federal ser um exemplo, e a única de ciclo completo, ainda passa por tensões e desfuncionalidades, pois não adotou ainda a carreira única. “Espero que esses entraves ao aprimoramento institucional venham a ser corrigidos e superados”.
Brasil, pátria encarceradora
Eis o epicentro de nosso problema na área da (in)segurança pública, sem cuja solução a vigência do Estado democrático de direito permanecerá dúbia, precária ou parcialmente suspensa. Refiro-me ao ponto no qual se cruzam o modelo policial e a lei de drogas, que reputo hipócrita e absolutamente irracional. Observe-se que o modelo policial definido pelo artigo 144 da Constituição veda a investigação a uma das polícias, obrigando-a a prender apenas em flagrante. Registre-se ainda que o ambiente social, cultural e político pressiona a polícia que está nas ruas, a polícia ostensiva, uniformizada (a mais numerosa), isto é, a polícia militar, a mostrar serviço, ou seja, a prender em grandes quantidades.
Leia Mais...»‘A solução é desmilitarizar as PMs e permitir que a polícia investigue’
Ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares, que acaba de lançar novo livro, diz que o atual modelo policial está ‘contratando a violência futura’ e que é essencial ‘preservar a Lava Jato’
Antropólogo, cientista político e escritor, Luiz Eduardo Soares reúne no seu mais recente livro os assuntos que mais conhece: Rio de Janeiro, política e segurança pública. A obra, Rio de Janeiro – Histórias de Vida e Morte, recém-lançada no Brasil, terá versão em inglês e lançamento internacional em março na Inglaterra. É um relato de histórias que desconstrói o clichê de “cidade maravilhosa”. Depois de atuar na área de segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal, Soares diz nesta entrevista à repórter Marina Gama Cubas que entre seus próximos objetivos está retomar os projetos da juventude – e o principal é dedicar-se mais à literatura.







