Rio – Depois de ocupar a Secretaria Nacional de Segurança no começo do governo Lula, de ser candidato a vice-governador pelo PT, professor de diversas universidades e ajudar a criar o icônico personagem Capitão Nascimento, Luiz Eduardo Soares está diante de novo desafio: agora, ele é militante e um dos principais intelectuais filiados à Rede Sustentabilidade, recém-fundado partido da ex-presidenciável Marina Silva. Ao DIA, ele afirmou que a legenda deve “experimentar novas formas de fazer política” e “errar erros novos”. Defendeu a candidatura de Alessandro Molon à Prefeitura do Rio e analisou o atual momento petista, lembrando da aliança entre Lula e Garotinho que implodiu sua candidatura. Em balanço sobre a segurança no Rio, resume uma das ideias principais de seu novo livro. “Essa conversa de cidade maravilhosa é um deboche”, afirmou ele, defensor de uma reformulação total nas polícias.
Vamos conversar sobre polícia?
Há 30 anos peço um tempo no final das reuniões realizadas no âmbito dos movimentos, dos partidos e das associações, para compartilhar uma pergunta e introduzir um novo tema na pauta: Que modelo de polícia devemos propor para a sociedade brasileira que se democratiza e luta por justiça? Qual seria o modelo menos problemático, o mais adequado, de nosso ponto de vista, nós que defendemos os direitos humanos? Qual modelo facilitaria o controle externo, a transparência, o respeito aos direitos, inclusive dos policiais, que são trabalhadores e cidadãos?
Leia Mais...»Sobre o impeachment
(post no facebook em 5 de dezembro de 2015)
Luiz Eduardo Soares
Canalhas e gangsters não têm ideologia, ainda que ergam bandeiras. O PT,
apesar de tão degradado, não tem o monopólio da vilania. O PSDB criou o
mensalão e posa de guardião da ética. Cunha não merece nem adjetivos. 2013
evidenciou o colapso da representação. 2014 revelou, na campanha, que a
sordidez do PT não tem limites. A Lava-Jato provou que o crime
institucionalizou-se. Os partidos sectários esquerdistas, como o PSOL, são
personagens patéticos e melancólicos, que acabaram aderindo ao PT, e vão
abraçá-lo agora de novo, porque consideram a crítica ética um desprezível
moralismo pequeno burguês e toleram a corrupção, desde que seja “de
esquerda”, porque acham que o problema é uma entidade metafísica chamada “o
sistema”. Por tudo isso, no Brasil, a tarefa número um é recusar a corrupção,
venha de onde vier. É recusar o crime organizado de colarinho branco e adesivo
partidário, ao mesmo tempo em que se impõe a repulsa mais veemente ao
genocídio de jovens negros e pobres nas periferias. São duas faces da mesma
moeda. A barbárie também veste Prada. E o impeachment?
Leia Mais...»Redes, parangolés e a conjuntura nacional
RESUMO Antropólogo e um dos articuladores da Rede Sustentabilidade critica o ambiente de antagonismo e ódio que se acirrou na política e na sociedade brasileiras com as eleições de 2014. No texto, o autor de “Elite da Tropa” recorre à obra do artista Hélio Oiticica para refletir sobre novos rumos para o debate e a prática política no país.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares: “Há um clamor por segregação no Rio”
Antropólogo lança livro com mosaico de histórias sobre o Rio, apresentado como um microcosmo das tensões sociais do país
Qual o Brasil de hoje? Qual o país de ontem? O furacão político-institucional vivido hoje tem paralelo na história? 2015 vai repetir 1964 ou 1954? Seria preciso um vidente para responder a questões como essas, que atormentam a nação. Ou então alguém experimentado, estudado ou que tenha sentido muitas dessas experiências na própria pele. É o caso do escritor e antropólogo fluminense Luiz Eduardo Soares, 61 anos. Além de intelectual respeitado até pelos adversários politicos, vivenciou em cargos executivos do governo federal, do governo estadual do Rio e de municípios (como Porto Alegre), o lado prático das questões nacionais: as puxadas de tapete do xadrez partidário, as contradições ideológicas, as decepções com as trapaças do sistema e dos que o enfrentam.
Leia Mais...»Estamos errando o foco sobre segurança pública?
Um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população?
No mês passado, o antropólogo, cientista político e escritor Luiz Eduardo Soares esteve em Porto Alegre para participar de audiência pública sobre segurança pública organizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, com o tema “Arquitetura institucional da Segurança Pública e modelo de polícia no Brasil”, e também conversou com a jornalista Anelise Dias, para a revista o Viés. Soares, que é um dos principais propositores de mudanças estruturais nas instituições de segurança pública e no modelo de polícia hoje vigente, falou sobre como um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população e da informação, ao contrário do que se vê majoritariamente hoje em dia, com polícias ligadas exclusivamente à repressão e a trabalhos burocráticos.
Luiz Eduardo Soares é hoje professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e já foi coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio de Janeiro (1999-2000) e Secretário Nacional de Segurança Pública (2003). É também co-autor da obra “Elite da Tropa”, em que é inspirado o filme Tropa de Elite, além de ser autor de pelo menos duas dezenas de livros publicados. Abaixo você lê a entrevista na íntegra, que está dividida em três grandes eixos. Uma boa leitura.
Leia Mais...»Na política brasileira, liberais são anti-liberais
Entre as desditas brasileiras estão seus liberais. No Brasil, desgraçadamente, os liberais apoiaram a escravidão e a ditadura. Jamais compreenderam e abraçaram a matriz axiológica que formou a filosofia política com a qual, supostamente, identificam-se. Por isso, agem e pensam como falcões conservadores e autoritários. Em sua maioria, são contrários à legalização das drogas, abrem mão do respeito rigoroso aos direitos humanos, defendem a redução da idade de imputabilidade penal, aceitam atropelos das garantias individuais, subestimam a linguagem dos direitos, ridicularizam a linguagem politicamente correta, subestimam o racismo, a homofobia, a misoginia, as desigualdades de oportunidades com que a sociedade acolhe as crianças, condenando-as a repetir a sina subalterna dos pais. Não compreendem essas bandeiras progressistas cuja origem é liberal e burguesa, e remontam a 1789. De fato, os liberais brasileiros retiveram de sua tradição apenas o credo econômico, e mesmo assim o traíam quando lhes interessava a intervenção estatal, em seu benefício. Propagavam a livre iniciativa mas repudiavam o risco. No passado foi assim, e continua sendo. Ou seja, não há, salvo raras exceções, liberais no Brasil.
Leia Mais...»Purgatório da beleza e do caos
Ângela Faria
Estado de Minas: 16/10/2015
Luiz Eduardo Soares tinha 10 anos quando abriu a janela e deparou com um canhão apontando para seu quarto. Era fim de março de 1964, o prédio ficava entre os palácios da Guanabara e do Catete, alvos tanto dos militares que deflagraram o golpe, apoiado pelo governador fluminense Carlos Lacerda, quanto das forças pró-presidente João Goulart. Violência difícil de esquecer, aquela. Quase meio século depois, lá estava ele, aos 59, intelectual respeitado, fugindo da polícia a alguns quilômetros dali durante a gigantesca manifestação das jornadas de junho de 2013, correndo de agentes da lei que se divertiam em atirar gás lacrimôgeneo sobre a multidão e até dentro de restaurantes. Brutalidade difícil de esquecer.
Leia Mais...»Quando a política é obstáculo à segurança pública
Por Paulo Vasconcelos Para o Valor do Rio
O antropólogo Luiz Eduardo Soares, coautor dos dois volumes de “Elite da Tropa”, livros que deram origem aos filmes “Tropa de Elite”, volta a trilhar o caminho da literatura com “Rio de Janeiro Histórias de Vida e Morte” (Companhia das Letras, 256 páginas, R$ 39,90). A obra, nada ficcional, relata seu convívio próximo com a violência da cidade e as origens do escândalo do mensalão. Em entrevista ao Valor, o exsecretário nacional de Segurança Pública do governo Lula revela como a política fez naufragar também as esperanças de cidades mais seguras e polícias menos violentas.
Crônicas da violência revelam o Rio de Janeiro atual
Antropólogo Luiz Eduardo Soares faz literatura de grande qualidade em livro que expõe anatomia da violência nacional
- Sandro Moser
Texto publicado na edição impressa da Gazeta do Povo de 12 de outubro de 2015
Rio de Janeiro. Cidade da festa e do samba. Sensualidade, praia e natureza exuberante. Criativa, acolhedora, “malandra”, no bom sentido; maravilhosa, enfim. Essas qualidades constam dos anúncios de pacotes de viagens que vendem a experiência de conhecer o Brasil a partir do Rio em agências pelo mundo afora.
No livro “Rio de Janeiro – Histórias de Vida e Morte”, o antropólogo Luiz Eduardo Soares mostra que, ainda que alguns dos itens do clichê sejam inegáveis, a experiência urbana no Rio é amplamente superada por aspectos negativos que impõem a necessidade de reinventar a cidade – que no livro serve, mais uma vez, como metáfora do Brasil.







