Cooperação ou divisão do desgaste?
Faço uma pergunta simples e não encontro resposta digna, que rime com justiça ou com respeito à equidade. A pergunta é esta: se o ministro da Justiça considerou necessário reunir-se com os secretários de segurança do Rio e de São Paulo para definir uma linha comum de ação contra a quebra de vidraças e a queima de ônibus, por que não agiu da mesma forma para estipular uma linha comum de ação contra as milhares de execuções extra-judiciais nas favelas do Rio, na Baixada fluminense e nas periferias de São Paulo? O quebra-quebra é mais grave do que o genocídio de negros e pobres? A violência contra o patrimônio é mais importante do que a violência letal perpetrada por instituições do Estado? Que critério justifica essa chocante inversão de prioridades? O ministro, os secretários e os governadores não têm como responder, mas a população que conhece de perto a selvageria chancelada pelo Estado sabe a razão. A grande mídia saudou a união de forças das três instâncias e ignorou a absurda disparidade entre as abordagens. Sob o cinismo de sua retórica, ela também sabe a razão. O ministro e seus interlocutores também sabem. Mas não a podem enunciar. Por isso, não podem responder a pergunta mais simples: por que?
Leia Mais...»Um pacto pela reforma da segurança pública
Amigos, a Folha de SP publicou artigo s/reforma da segurança pública coassinado por mim, Luiz Eduardo Soares, Claudio Beato, Renato Sérgio de Lima, Rodrigo G. Azevedo e José Luiz Ratton. Devemos a iniciativa a Renato, que convidou os demais autores por sermos ligados aos diferentes candidatos à presidência. O endosso coletivo a este artigo confirma que há consenso mínimo quanto à necessidade urgente de uma reforma profunda da arquitetura institucional da segurança pública e do modelo policial, envolvendo a desmilitarização, a instauração do ciclo completo e da carreira única em cada instituição. Não mencionamos a PEC-51, no artigo, porque a referência ao senador Lindbergh Farias (autor da PEC) poderia dificultar a demonstração de unidade além da política partidária. Mas o fato é que o artigo constitui um importante apoio às principais teses da PEC-51, demonstrando que ela tem a possibilidade de conquistar ampla adesão, como aliás os debates têm comprovado. Teria sido melhor ainda se muitos outros parceiros queridos tivessem assinado o artigo, muitos dos quais são destinatários desta mensagem, alguns dos quais considero coautores das contribuições para a PEC, como Marcos Rolim e Ricardo Balestreri. Mas a extensão da lista de autores faria do texto um abaixo assinado e dificultaria sua publicação como artigo. O importante é o sentido político desta publicação coletiva, que mostra a possibilidade de que todos os candidatos até agora postos compartilhem o compromisso com essas transformações profundas. Espero que corporativismos, lobbies e o jogo menor da diferenciação eleitoreira e da retórica marqueteira não inviabilizem um pacto que encontra bases substantivas para firmar-se, pela primeira vez no Brasil.
Nosso artigo na Folha pode ser lido por este link:
http://www1.folha.uol.com.br/
Raízes do imobilismo político na segurança pública
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político e escritor, professor da
UERJ e ex-secretário nacional de segurança pública)
para a revista Interesse Nacional, número 20
A sociedade brasileira tem sido capaz de promover transformações profundas nas mais diversas esferas de sua experiência coletiva, mas permanece inerte e impotente ante alguns problemas históricos que persistem, entre os quais a insegurança pública.
Cerca de 50 mil brasileiros são vítimas de homicídios dolosos, anualmente, dos quais apenas 8%, em média, são esclarecidos e um número bem menor chega a ser julgado e condenado[1]. Portanto, a taxa de impunidade relativa aos crimes mais graves alcança o espantoso patamar de 92%. Somos o segundo país mais violento do mundo, considerando-se os números absolutos referentes aos crimes letais intencionais. Examinando o baixíssimo índice de esclarecimento, um observador poderia ser instado a deduzir que o Brasil é o país da impunidade. Não é verdade. Temos a terceira população prisional do mundo, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos, e um dos mais velozes crescimentos da taxa de encarceramento do planeta: havia 160 mil presos em 1995; hoje, são 540 mil.
Leia Mais...»Proibição do consumo de drogas não é forma de controle eficaz
Publicada em 14/09/2012
O tema da semana comemorativa dos 58 anos da ENSP foi Drogas, Políticas Públicas e Saúde. Esse também foi o assunto da palestra proferida pelo cientista político e antropólogo Luiz Eduardo Soares, na segunda-feira (10/9), na abertura da semana. Em conversa com o Informe ENSP, Soares disse que a suposta proibição existente hoje em diversos países é equivocada do ponto de vista dos seus efeitos. “O acesso às drogas está se ocorrendo sem nenhum tipo de disciplina ou controle. As misturas químicas e associações geram novos nichos de mercado que causam graves consequências à saúde, como é o caso do crack”, afirma.
Leia Mais...»Contra a drogafobia e o proibicionismo: dissipação, diferença e o curto-circuito da experiência
Palestra na abertura da conferência que celebra os 58 anos da FIOCRUZ
10 de setembro de 2012
Contra a drogafobia e o proibicionismo:
dissipação, diferença e o curto-circuito da experiência
à memória de Santuza Cambraia Naves e Gilberto Velho
Luiz Eduardo Soares
Leia Mais...»Arquitetura Institucional da Segurança Pública no Brasil: Três propostas de Reforma Constitucional
Arquitetura Institucional
da Segurança Pública no Brasil:
Três propostas de Reforma Constitucional
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo e escritor. Ex-secretário nacional de segurança pública. Professor da UERJ)
A situação da segurança pública no Brasil permanece grave. Avanços no controle do crime e da violência, em algumas regiões, mesmo significativos, têm sido anulados, no cômputo agregado, pela deterioração verificada em outras, nas quais aumentam, consistentemente, as ocorrências de modalidades criminais relevantes.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares e Ricardo Balestreri – A raiz dos nossos problemas de segurança
Algo está errado: temos a 3ª população carcerária, e só 8% dos homicídios esclarecidos. Um dos erros foi reproduzir o modelo do Exército na polícia
A situação da segurança pública no país permanece grave, a despeito de respeitáveis esforços pontuais. Aconteceram avanços regionais, mas o resultado nacional segue inalterado, pois os problemas se disseminaram para o interior e a insegurança cresceu em algumas regiões.
Leia Mais...»O que é que a PM bahiana (não) tem?
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, escritor, ex-secretário nacional de segurança pública)
Mais uma vez, o Brasil discute segurança pública na crise. A Bahia está convulsionada e a consciência nacional contempla o enigma sob fogo cruzado. PM em greve, selvageria nas ruas, saques, medo, mortes. Cenário para músculos e paixões, pouco afeto à inteligência. Na crise, quem manda é a crise, com sua dinâmica inconstante e imprevisível. A questão corrente é: o que fazer, agora? Quando o doente está na UTI, a urgência exige mobilização de todos os recursos disponíveis para salvá-lo. Não é momento para seminários e filosofia. Entretanto, será preciso atravessar o dia seguinte com os olhos postos no futuro e a pergunta decisiva: o que fazer para evitar crises cíclicas desse porte? O que as motiva? Como reverter suas causas? Já houve dezenas como esta, nos últimos vinte anos.
Leia Mais...»Além do bem e do mal na cidade sitiada
Luiz Eduardo Soares
Publicado no Caderno Aliás, jornal Estado de SP, 20/11/2011
A retórica ufanista e o moralismo simplificador do bem contra o mal, ainda comum na mídia, sobretudo carioca, não ajudam a entender a unidade de fundo entre crime e polícia, cuja lógica explica o drama da insegurança no Rio de Janeiro. O que se ganha na demagogia política dos símbolos, perde-se em acuidade analítica.
Leia Mais...»A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
Monday, June 12, 2000
A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
The official who sought to reform the force in Rio de Janeiro state is
now living in exile in New York.







