Íntegra da entrevista de Luiz Eduardo Soares a Terrence McCoy, do Washington Post
(1)Por que tem mais pessoas no Brasil mais preocupados sobre a possibilidade de um golpe?
Resposta: O próprio presidente mencionou em diferentes momentos a hipótese de “dar um basta” ao que ele chama interferências do Supremo Tribunal Federal, impondo limites a seu governo. Participou de manifestações, em Brasília, nas quais se destacavam faixas reivindicando “Ditadura Militar com Bolsonaro”. Durante a campanha, indagado sobre como contornar eventuais dificuldades com o Poder Judiciário, Eduardo Bolsonaro, filho do então candidato, disse que, para fechar o STF, bastariam um soldado e um sargento. As redes sociais bolsonaristas não cessam de difundir mensagens golpistas, clamando ao presidente que feche o Congresso e o Supremo. Políticos ligados a Bolsonaro fazem declarações ameaçadoras, veladas ou explícitas. Além disso, há uma história que justifica preocupações. História política nacional recente (lembremo-nos do tweet do então comandante do Exército, general Villas Boas, na véspera do julgamento na Suprema Corte do Habeas Corpus de Lula) e a biografia do presidente, cuja trajetória foi marcada pela defesa da ditadura, pela exaltação de torturadores e de grupos de extermínio policiais. O último pronunciamento de Bolsonaro, uma semana antes do segundo turno das eleições, em 2018, dirigido por celular de sua casa, no Rio, à multidão que se reuniu na Avenida Paulista para ouvi-lo, não deixava margem a dúvidas: em seu governo, esquerdistas teriam dois destinos, o exílio ou “a ponta da praia”, expressão usada na ditadura que designava o local de execução dos opositores do regime. Bolsonaro afirmou, ao longo da campanha, que faria uma “revolução para destruir o sistema”. Mesmo que seja apenas uma hipótese, quem, sendo democrata, não se preocupasse seria leviano.
Democracia brasileira em ruínas
Para o blog da editora Boitempo
01/07/21
Em junho de 2013, um milhão de pessoas ocuparam a maior avenida do Rio de Janeiro, num clima de festa e revolta, erguendo pequenos cartazes individuais bem-humorados, repletos de indignação e ironia, bradando seus gritos de guerra e amor, e não era carnaval. Dirigentes esquerdistas da tradicional organização nacional dos estudantes caminhavam anônimos e atônitos, em meio à multidão, perguntando-se quem convocara, quem estava no comando, quem tinha aquele poder imenso. Quem, se não havia carro de som, bandeiras, palavras de ordem? Quem, se lá não estavam partidos e sindicatos? Não acreditavam que aquele mar de gente pudesse se mobilizar sem liderança, atendendo ao chamado espontâneo das redes sociais. O mesmo acontecia, por contágio, em quase todo o país. Estavam perdidos como as demais lideranças da esquerda e da direita, como o governo Dilma Roussef e os intelectuais ouvidos pela presidenta, cuja opinião predominante logo se fixou na tese convencional: “Só pode ser coisa da CIA, do NSA, do imperialismo, associados às forças reacionárias da burguesia brasileira”. Governos estaduais lançaram suas polícias na impossível e sangrenta missão repressiva, e o caldo entornou. As manifestações se multiplicaram. Quem esteve nas ruas constatou, entretanto, que as pautas e demandas eram plurais e contraditórias, havia grupos assumidamente direitistas, mas muitos outros identificados com agendas e valores de esquerda.
Leia Mais...»La démocratie brésilienne en ruines | AOC media – Analyse Opinion Critique
La démocratie brésilienne en ruines | AOC media – Analyse Opinion Critique
Opinion
lundi
28.06.21
La démocratie brésilienneen ruines
Par
Luiz Eduardo Soares
Des sondages publiés cette semaine ont montré quetrois Brésiliens sur cinq désapprouvaient l’action de JairBolsonaro, et une majorité d’entre eux réclameraitdésormais sa destitution. Un retournement de situationspectaculaire à un an d’une élection, pour laquelle l’ex-président de gauche Lula est désormais largement entête des intentions de vote. Mais l’histoire del’accession au pouvoir de l’ancien capitaine invite à laprudence, pour l’héritier de la dictature militaire, latentation du coup d’État n’est jamais loin.
Leia Mais...»Um enclave antidemocrático
Antropólogo Luiz Eduardo Soares diz que governadores não controlam
polícias em seus Estados. Por Helena Ce l e st i n o , para o Valor, de São Paulo
A resposta que o Supremo Tribunal
Federal (STF) der à operação policial
na favela do Jacarezinho, no
Rio, com um rastro de 28 mortes,
pode acabar com o enclave antidemocrático
das forças de segurança no Brasil, uma herança
da ditadura que sobrevive até hoje. Esta
é a opinião e a esperança do antropólogo
Luiz Eduardo Soares, um dos mais respeitados
especialistas em segurança pública, autor
ou coautor de 20 livros e com passagens
por cargos como a Secretaria de Segurança
Pública no governo Lula e a coordenação da
Justiça, Segurança e Cidadania no Rio.
“Foi um desafio frontal ao Supremo”, diz,
referindo-se ao desrespeito à proibição do STF
de operações policiais nas comunidades durante
a pandemia. Entre junho e outubro de
2020, a ordem foi cumprida, e o número de
mortes despencou, sem que a criminalidade
aumentasse. Foi uma inversão temporária da
escalada do número de vítimas da violência
policial entre 2003 e 2020.
“Só no Rio registraram-se 18.110 mortes”,
diz ele. Nesta entrevista, ele analisa a politização
das polícias e o descontrole das forças de
segurança em todo o país. “Os governadores
não controlam as polícias nos Estados”, diz
Luiz Soares, el mayor experto brasileño en seguridad pública, analiza en profundidad la situación del país
1) Luiz Eduardo Soares, no solo eres un gran académico, antropólogo y politólogo, sino que trabajaste en el ejecutivo brasileño y diseñaste programas de gobierno. ¿Qué fue importante implementar y qué quedó por hacer en un país que tiene matanzas recurrentes en su historia?
Querido Tulio, muchas gracias por las generosas palabras, pero, lamentablemente, mi respuesta, en contra de mi intención, te frustrará. Lo que me pides es casi una autobiografía, porque he dedicado casi toda mi vida a ayudar a que estas masacres recurrentes nunca vuelvan a ocurrir. Siguen ocurriendo y cada vez con mayor frecuencia y brutalidad más letal. Entonces, antes de frustrar sus expectativas de una respuesta, fue mi lucha, no solo la mía, solo soy otro activista de derechos humanos que se suma a muchos, muchos otros, lo que se frustró.
Leia Mais...»Por que a resposta ao massacre do Jacarezinho é essencial? Por Luiz Eduardo Soares
Em artigo, ex-secretário nacional de segurança pública afirma que está um dos principais desafios à democracia está em jogo
Por que a resposta ao massacre do Jacarezinho é essencial?
Por Luiz Eduardo Soares*
Por que a resposta ao massacre do Jacarezinho é essencial? Primeiro, claro, porque as famílias dos mortos merecem o respeito que às vítimas não se concedeu. É necessário responsabilizar quem perpetrou homicídio, direta ou indiretamente, da ponta à cadeia de comando. Segundo, porque a resposta determinará, em parte, o futuro. Terceiro, porque está em jogo um dos principais desafios à democracia brasileira, ao que dela nos resta. Como as duas primeiras afirmações prescindem de explicação, passo a tratar da última, convocando a história para iluminar a conjuntura.
Luiz E. Soares e a formação do “Brasil miliciano”
Luiz Eduardo Soares em depoimento a Francisco Ourique e Marcio Scalercio, no Insight Inteligência
Temos diante de nós mais do que um tema, um desafio que nos angustia, nos mobiliza. É fundamental compreendermos o que significam as milícias, para que seja possível de alguma maneira definir políticas públicas, iniciativas e terapias para essa patologia tão dramática e com efeitos de fato degradantes para a sociedade, para a democracia.
É sabido que essas categorias variam historicamente e têm outras raízes, outras significações. Seguindo a trilha da história, recuo até os anos 60 ou talvez até meados dos anos 50 e, evidentemente, partindo de alguns pressupostos indispensáveis, levando em conta de que país estamos falando.
Nosso país é profundamente desigual e marcado pelo racismo estrutural. Um país cuja história tem sido muito dura e violenta. Portanto, os episódios, esses eventos, as circunstâncias e dinâmicas são profundamente violentos e, nesse sentido, compatíveis com as características da nossa sociedade. Sendo assim, dificilmente seriam possíveis em outros contextos.
Leia Mais...»TOQUEM O ALARME
Congresso avalia reduzir poder de governadores sobre PM e polícia civil
Projetos sugerem criação de patentes e de conselho nacional ligado à União, além
de mandatos para comandantes; modelo é defendido por aliados de Jair Bolsonaro
Matéria de Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo
11 de janeiro de 2021 | 05h00
Política Democrática Online destaca coalizão para reforma estrutural nas polícias
Com análises sobre política, economia e cultura, edição de novembro foi lançada nesta quinta-feira (12)
Cleomar Almeida, assessor de comunicação da FAP
Necessidade de coalizão para se enfrentar a questão da governança das polícias, embate entre favoráveis e contrários à volta às aulas presenciais e a união de forças progressistas e de centro que levaram à derrota da Donald Trump são os principais destaques da revista Política Democrática Online de novembro. Lançada nesta quinta-feira (12), a publicação é produzida e editada pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira), sediada em Brasília e que disponibiliza todos os conteúdos em seu site, gratuitamente.
Clique aqui e acesse a revista Política Democrática Online de novembro!
No editorial, a publicação diz que “o país ingressou na reta final de uma campanha eleitoral atípica”. Segundo o texto, tudo indica que prevaleceu no eleitorado a tendência ao pragmatismo, à separação prudente das esferas nacional e municipal da política. “Nessa conjuntura, cabe às forças de oposição prosseguir na convergência programática, no fortalecimento de um amplo leque de alianças para o segundo turno das eleições, em torno do eixo político hoje fundamental: defesa da saúde, da vida e da democracia”, afirma, em um trecho.
Na entrevista exclusiva concedida à Política Democrática Online, o antropólogo e filósofo Luiz Eduardo Soares, defensor da desmilitarização das polícias militares, avalia que somente uma coalizão pode dar ao país as condições políticas para que se faça uma reforma estrutural nessas corporações policiais. “Só uma coalizão pode proteger os governos que se disponham a agir, e não adianta pensar nas forças armadas como uma solução mágica, porque se não o Rio já teria resolvido, por exemplo, o problema com as milícias”, diz.
Leia Mais...»Guilhotina #89 – Luiz Eduardo Soares
Bianca Pyl e Luís Brasilino entrevistam o antropólogo Luiz Eduardo Soares, que está lançando pela Boitempo o livro “Dentro da noite feroz: o fascismo no Brasil” (https://www.boitempoeditorial.com.br/diplomatiquebr). Professor visitante da UFRJ, ex-secretário nacional de segurança pública (2003), coordenador de segurança, justiça e cidadania do estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000 e autor de mais de vinte livros, ele falou conosco sobre a nova obra, em que faz uma análise da conjuntura brasileira diante do avanço do projeto fascista encampado pelo governo federal. Conversamos sobre a aplicabilidade da categoria fascismo no caso brasileiro; as razões da popularidade desse discurso na atualidade; o papel da crise econômica, da Lava Jato e do ódio contra minorias; a ligação do governo com as milícias e muito mais. *Links: https://diplomatique.org.br/guilhotina-87-bruno-paes-manso/. Trilha: Arnaldo Antunes, “O real resiste”; e Caetano Veloso, “Um índio”.







