Rio – Depois de ocupar a Secretaria Nacional de Segurança no começo do governo Lula, de ser candidato a vice-governador pelo PT, professor de diversas universidades e ajudar a criar o icônico personagem Capitão Nascimento, Luiz Eduardo Soares está diante de novo desafio: agora, ele é militante e um dos principais intelectuais filiados à Rede Sustentabilidade, recém-fundado partido da ex-presidenciável Marina Silva. Ao DIA, ele afirmou que a legenda deve “experimentar novas formas de fazer política” e “errar erros novos”. Defendeu a candidatura de Alessandro Molon à Prefeitura do Rio e analisou o atual momento petista, lembrando da aliança entre Lula e Garotinho que implodiu sua candidatura. Em balanço sobre a segurança no Rio, resume uma das ideias principais de seu novo livro. “Essa conversa de cidade maravilhosa é um deboche”, afirmou ele, defensor de uma reformulação total nas polícias.
Redes, parangolés e a conjuntura nacional
RESUMO Antropólogo e um dos articuladores da Rede Sustentabilidade critica o ambiente de antagonismo e ódio que se acirrou na política e na sociedade brasileiras com as eleições de 2014. No texto, o autor de “Elite da Tropa” recorre à obra do artista Hélio Oiticica para refletir sobre novos rumos para o debate e a prática política no país.
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Antropólogo lança livro com mosaico de histórias sobre o Rio, apresentado como um microcosmo das tensões sociais do país
Qual o Brasil de hoje? Qual o país de ontem? O furacão político-institucional vivido hoje tem paralelo na história? 2015 vai repetir 1964 ou 1954? Seria preciso um vidente para responder a questões como essas, que atormentam a nação. Ou então alguém experimentado, estudado ou que tenha sentido muitas dessas experiências na própria pele. É o caso do escritor e antropólogo fluminense Luiz Eduardo Soares, 61 anos. Além de intelectual respeitado até pelos adversários politicos, vivenciou em cargos executivos do governo federal, do governo estadual do Rio e de municípios (como Porto Alegre), o lado prático das questões nacionais: as puxadas de tapete do xadrez partidário, as contradições ideológicas, as decepções com as trapaças do sistema e dos que o enfrentam.
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Um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população?
No mês passado, o antropólogo, cientista político e escritor Luiz Eduardo Soares esteve em Porto Alegre para participar de audiência pública sobre segurança pública organizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, com o tema “Arquitetura institucional da Segurança Pública e modelo de polícia no Brasil”, e também conversou com a jornalista Anelise Dias, para a revista o Viés. Soares, que é um dos principais propositores de mudanças estruturais nas instituições de segurança pública e no modelo de polícia hoje vigente, falou sobre como um serviço especializado de segurança pública pode resultar em um sistema que coloque o serviço das polícias e das políticas públicas a serviço da população e da informação, ao contrário do que se vê majoritariamente hoje em dia, com polícias ligadas exclusivamente à repressão e a trabalhos burocráticos.
Luiz Eduardo Soares é hoje professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e já foi coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio de Janeiro (1999-2000) e Secretário Nacional de Segurança Pública (2003). É também co-autor da obra “Elite da Tropa”, em que é inspirado o filme Tropa de Elite, além de ser autor de pelo menos duas dezenas de livros publicados. Abaixo você lê a entrevista na íntegra, que está dividida em três grandes eixos. Uma boa leitura.
Leia Mais...»Na política brasileira, liberais são anti-liberais
Entre as desditas brasileiras estão seus liberais. No Brasil, desgraçadamente, os liberais apoiaram a escravidão e a ditadura. Jamais compreenderam e abraçaram a matriz axiológica que formou a filosofia política com a qual, supostamente, identificam-se. Por isso, agem e pensam como falcões conservadores e autoritários. Em sua maioria, são contrários à legalização das drogas, abrem mão do respeito rigoroso aos direitos humanos, defendem a redução da idade de imputabilidade penal, aceitam atropelos das garantias individuais, subestimam a linguagem dos direitos, ridicularizam a linguagem politicamente correta, subestimam o racismo, a homofobia, a misoginia, as desigualdades de oportunidades com que a sociedade acolhe as crianças, condenando-as a repetir a sina subalterna dos pais. Não compreendem essas bandeiras progressistas cuja origem é liberal e burguesa, e remontam a 1789. De fato, os liberais brasileiros retiveram de sua tradição apenas o credo econômico, e mesmo assim o traíam quando lhes interessava a intervenção estatal, em seu benefício. Propagavam a livre iniciativa mas repudiavam o risco. No passado foi assim, e continua sendo. Ou seja, não há, salvo raras exceções, liberais no Brasil.
Leia Mais...»Purgatório da beleza e do caos
Ângela Faria
Estado de Minas: 16/10/2015
Luiz Eduardo Soares tinha 10 anos quando abriu a janela e deparou com um canhão apontando para seu quarto. Era fim de março de 1964, o prédio ficava entre os palácios da Guanabara e do Catete, alvos tanto dos militares que deflagraram o golpe, apoiado pelo governador fluminense Carlos Lacerda, quanto das forças pró-presidente João Goulart. Violência difícil de esquecer, aquela. Quase meio século depois, lá estava ele, aos 59, intelectual respeitado, fugindo da polícia a alguns quilômetros dali durante a gigantesca manifestação das jornadas de junho de 2013, correndo de agentes da lei que se divertiam em atirar gás lacrimôgeneo sobre a multidão e até dentro de restaurantes. Brutalidade difícil de esquecer.
Leia Mais...»Quando a política é obstáculo à segurança pública
Por Paulo Vasconcelos Para o Valor do Rio
O antropólogo Luiz Eduardo Soares, coautor dos dois volumes de “Elite da Tropa”, livros que deram origem aos filmes “Tropa de Elite”, volta a trilhar o caminho da literatura com “Rio de Janeiro Histórias de Vida e Morte” (Companhia das Letras, 256 páginas, R$ 39,90). A obra, nada ficcional, relata seu convívio próximo com a violência da cidade e as origens do escândalo do mensalão. Em entrevista ao Valor, o exsecretário nacional de Segurança Pública do governo Lula revela como a política fez naufragar também as esperanças de cidades mais seguras e polícias menos violentas.
Crônicas da violência revelam o Rio de Janeiro atual
Antropólogo Luiz Eduardo Soares faz literatura de grande qualidade em livro que expõe anatomia da violência nacional
- Sandro Moser
Texto publicado na edição impressa da Gazeta do Povo de 12 de outubro de 2015
Rio de Janeiro. Cidade da festa e do samba. Sensualidade, praia e natureza exuberante. Criativa, acolhedora, “malandra”, no bom sentido; maravilhosa, enfim. Essas qualidades constam dos anúncios de pacotes de viagens que vendem a experiência de conhecer o Brasil a partir do Rio em agências pelo mundo afora.
No livro “Rio de Janeiro – Histórias de Vida e Morte”, o antropólogo Luiz Eduardo Soares mostra que, ainda que alguns dos itens do clichê sejam inegáveis, a experiência urbana no Rio é amplamente superada por aspectos negativos que impõem a necessidade de reinventar a cidade – que no livro serve, mais uma vez, como metáfora do Brasil.
‘A nação está pertubada’, define antropólogo Luiz Eduardo Soares
‘Essa conversa de cidade maravilhosa é um deboche’, afirma ele, defensor de uma reformulação total nas polícias
“Há lugares do Rio em que a polícia é despótica, sufoca a vida dos jovens”
Ex-secretário nacional de Segurança Pública aborda a corrupção no PT do mensalão em entrevista ao El País
Os primeiros passos do antropólogo Luiz Eduardo Soares (Nova Friburgo, 1954) como secretario nacional de Segurança Pública em 2003 foram recebidos com uma rajada de tiros na fachada de sua casa no Rio. Mas este não foi o único sobressalto da travessia política de Soares, coautor da obra que inspirou o filme Tropa de Elite. No seu novo livro, Rio de Janeiro – História de Vida e Morte(Companhia das Letras), Soares relata a gênese do mensalão, a promessa de Lula e José Dirceu de não investigar as contas do ex-governador do Rio Anthony Garotinho em troca de apoio político, e sua saída do Governo, dez meses depois da sua nomeação, após a divulgação de um dossiê recheado de graves acusações contra ele e que tinha sido forjado pelos próprios colegas de partido. “Uma armadilha”, segundo Soares, na qual participaram grandes nomes do PT, como José Genoino, condenado a mais de quatro anos por corrupção.
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Pendurado por um cinto, com meio corpo para fora de um helicóptero, um policial com um fuzil gargalha enquanto ameaça atirar na multidão reunida para protestar contra o assassinato de um menino, na Mangueira.
Noutro trecho, um assustado jovem de classe média conhece o calor e a corrupção de uma prisão carioca. E, numa terceira, o líder de uma facção criminosa diz que quer se entregar, mas sabe que morrerá na cadeia. Afinal, virou um arquivo vivo e sabe quais policiais e autoridades embolsaram dinheiro do tráfico nos últimos anos.
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