Bate-papo & Noite de autógrafos: Rio de Janeiro – histórias de vida e morte
Terça | 15 | setembro
Bate-papo & Noite de autógrafos: Rio de Janeiro – histórias de vida e morte
Título: RIO DE JANEIRO: HISTORIAS DE VIDA E MORTE
Autor: Luiz Eduardo Soares
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
O antropólogo Luiz Eduardo Soares, autor do livro que inspirou o filme Tropa de elite, conhece o Rio de Janeiro como poucos. Pesquisador de renome e ex-integrante da área de segurança pública dos governos estadual e federal, convive há décadas com as mazelas da cidade: o tráfico de drogas, a corrupção policial, a violência. Este livro é resultado dessa experiência singular. Escrito com mão leve, ritmo de thriller e faro jornalístico, Rio de Janeiro é um retrato impactante sobre as desigualdades, o racismo, a degradação da política, a violência do Estado e o ódio que se derrama sobre a cidade, colocando em risco a beleza exuberante do eterno cartão-postal do Brasil.
Local: Shopping Leblon
Horario: 19:00
Luiz Eduardo Soares: “Estacionamos na barbárie”
Entrevista a Helio R. S. Silva, publicada pela revista virtual Iluminuras, sobre etnografia
Iluminuras, Porto Alegre, v. 16, n. 38, p.315-345, jan./jul. 2015.
ENTREVISTA COM LUIZ EDUARDO SOARES
Hélio R.S. Silva1
1 Faculdade de Educação da Baixada Fluminense/Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Hélio Silva – Penso na expressão de Malinowski, “limites e alcance”. E penso ainda que nossa conversa bem poderia orbitar em torno de uma questão: quais os limites e alcance da etnografia hoje? Dizendo isso, lembro de seu livro, O rigor da indisciplina, publicado em um momento em que havia certa efervescência em torno da questão.
Leia Mais...»‘Desmilitarizar la policía de Brasil es esencial’
ENTREVISTA para 
Luiz Eduardo Soares, antropólogo y experto en Seguridad Pública
En el primer mandato de Lula, el carioca Luiz Eduardo Soares redactó un plan de seguridad nacional que nunca fue aprobado. Duró pocos meses como secretario de estado de seguridad. Años después, el mundo conocería el lado más violento de las favelas y la policía de Rio de Janeiro gracias a las dos entregas de ‘Tropa de Élite’, películas inspiradas en sendas novelas de Soares, escritor y antropólogo, uno de los más respetados expertos en seguridad pública de Brasil.
Leia Mais...»Por que tem sido tão difícil mudar as polícias?
A morte de um jovem negro e pobre, numa periferia brasileira: mais um traço no catálogo da violência policial. Outra vida sepultada sob as patas do Estado. Já não importam palavras e números, curvas e tabelas. Os dados quantificam a tragédia e a diluem.
Leia Mais...»Alerta aos democratas:
Luiz Eduardo Soares: sobre a redução da maioridade penal
A UERJ e o ovo da serpente
Luiz Eduardo Soares
Mesmo afastado da UERJ, me angustia profundamente o que está acontecendo na instituição, à qual tanto devemos, à qual tanto deve a democracia no Brasil. Sou professor universitário há 40 anos. Comecei, com carteira assinada, em janeiro de 1976. Tornei-me docente da UERJ em 1991, há 24 anos. Tenho muito orgulho da imensa maioria dos alunos de ciências sociais e considero um privilégio ser colega de meus colegas e conviver com um grupo extraordinário de funcionários dedicados, competentes e cooperativos. A UERJ esteve à frente de seu tempo, assumindo políticas afirmativas, adotando cotas para negros, aceitando registrar travestis, e quem se sentisse estigmatizado, pelo nome que escolhessem. Com o ingresso de cotistas, o ambiente da universidade melhorou muito, a experiência acadêmica enriqueceu-se, qualificou-se, valorizou-se. Eu senti que meu trabalho cotidiano ganhara um sentido renovado e recarregava baterias ao encontrar @s estudantes. A primeira geração a chegar à universidade não veio à vida a passeio. Seriedade e entusiasmo com os estudos e as descobertas impuseram a nós, docentes, um grau superior de saudável exigência intelectual e profissional. Não por acaso, inaugurou-se o Instituto de Ciências Sociais, antiga reivindicação de quem sonha com o aperfeiçoamento acadêmico em nossa área. Fui honrado com o convite dos colegas para falar na mesa de abertura, semana passada. Preparo agora minha retirada: uma licença prêmio –à qual tinha direito havia bastante tempo, mas jamais solicitara– e, na sequência, a aposentadoria. Pois justamente neste momento, enfrentamos desafios extremos que colocam em risco a convivência acadêmica, civil e pessoal, e a própria instituição.
Leia Mais...»15 de março de 2015, uma genealogia
(Postado no facebook em 15 de março de 2015)
Luiz Eduardo Soares
Milhares de pessoas nas ruas. Vozes em protestos se misturam a brados nas redes, sussurros em gabinetes, bate-bocas em reuniões apressadas e nervosas. Zoeira babélica frita mentes zen. Momento extraordinariamente rico para o país e para a reflexão. Tudo o que é rico é arriscado: o futuro se liberta da previsibilidade que domestica a liberdade da ação humana. Incerteza é o outro lado da criatividade, da potência coletiva. Bem-vindo o risco, bem-vinda a indeterminação, bem-vinda a política.
Leia Mais...»Liberais, marxistas e os direitos humanos
Luiz Eduardo Soares
(Postado no FB em 11 de abril de 2015)
Entre as desditas brasileiras estão seus liberais. No Brasil, desgraçadamente, os liberais apoiaram a escravidão e a ditadura. Jamais compreenderam e abraçaram a matriz axiológica que formou a filosofia política com a qual, supostamente, identificam-se. Por isso, agem e pensam como falcões conservadores e autoritários. Em sua maioria, são contrários à legalização das drogas, abrem mão do respeito rigoroso aos direitos humanos, defendem a redução da idade de imputabilidade penal, aceitam atropelos das garantias individuais, subestimam a linguagem dos direitos, ridicularizam a linguagem politicamente correta, subestimam o racismo, a homofobia, a misoginia, as desigualdades de oportunidades com que a sociedade acolhe as crianças, condenando-as a repetir a sina subalterna dos pais. Não compreendem essas bandeiras progressistas cuja origem é liberal e burguesa, e remontam a 1789. De fato, os liberais brasileiros retiveram de sua tradição apenas o credo econômico, e mesmo assim o suspendiam quando lhes interessava a intervenção estatal, em seu benefício. Propagavam a livre iniciativa mas repudiavam o risco. No passado foi assim, e continua sendo. Ou seja, não há, salvo raríssimas exceções, liberais no Brasil.
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