Manual de Auto-Ajuda política
(Postado no facebook em 15 de março de 2015)
Luiz Eduardo Soares
Situações críticas como a que estamos vivendo são preciosas para repensarmos nossas próprias posições e percepções. Se tivermos coragem de avançar nesta linha, talvez aprendamos algumas lições sobre nós mesmos –pré-condição para darmos lições aos outros. Então, abro o coração: confesso que minhas reações e emoções foram muito diferentes quando identifiquei, a meu lado, pessoas com crenças muito diferentes das minhas, em junho de 2013 e agora. Hoje, topando, via TV, com pessoas que defendem o autoritarismo, senti repulsa, mas não me repugnava, em 2013, postar-me ao lado de algumas pessoas que defendiam regimes ditatoriais, como Coreia do Norte e Cuba, ou autoritários, como a Venezuela, ou de pessoas cujos partidos defendiam o legado do stalinismo, além daquelas pessoas que apoiavam explicitamente a ditadura do proletariado.
Leia Mais...»A Ordem e o despenhadeiro
(Postado no facebook em 26 de março de 2015)
Luiz Eduardo Soares
Ordem é expectativa de ordem, profecia que se auto-cumpre. Ordem é a ilusão compartilhada de que o futuro é a extensão linear do passado. Esta fantasia apazigua o espírito, conjura o acaso, abole a indeterminação e converte em destino a aventura de viver. No entanto, a suposta ordem –mais que a fé que suscita, e na qual repousa– é volátil, desfaz-se com um sopro de incerteza. A ordem é a varinha mágica com que domesticamos a morte e exorcizamos a consciência da finitude. Por isso, a tragédia na França, que matou 150 pessoas, é tão inquietante, e desta vez mais do que nos outros acidentes aéreos: este não foi propriamente um acidente, não decorreu de falha humana ou mecânica, nem de condições atmosféricas. Tampouco foi produzido em nome de uma racionalização ideológico-religiosa ou política qualquer. Um homem jogou-se no despenhadeiro e levou consigo aqueles que o acaso escolheu, em seu jogo de dados com a morte. O arbítrio individual suicida transformou-se em decisão assassina, sem motivo passível de racionalização.
Leia Mais...»A Onda conservadora e as armadilhas da frente de esquerda
(Postado no facebook em 10 de abril de 2015)
Luiz Eduardo Soares
A onda conservadora no Congresso, sob a batuta do que há de pior no PMDB –que ocupou o espaço deixado vazio pela desmoralização do PT e do governo–, ameaça tanto as conquistas sociais e os direitos civis e trabalhistas, quanto a crise provocada pelo bonapartismo arrogante e obscurantista de Dilma. A pauta reacionária no Parlamento inclui a consagração da terceirização, a redução da idade de imputabilidade penal e a revogação dos avanços no controle de armas. Por sua vez, os efeitos da crise econômica podem vir a dilapidar a redução das desigualdades e o aumento da renda dos mais vulneráveis, gerando desemprego e decepções em larga escala.
Leia Mais...»Depois de Junho
Compartilhamos duas convicções: a sociedade brasileira experimenta mudanças profundas e nada se compara, nenhuma obra da arte ou da ciência, à beleza e à complexidade de uma pessoa, em sua singularidade.
Como se percebe, as duas certezas não têm nenhuma relação entre si. Ou têm?
Uma intuição sutil sussurra, quase inaudível: sim.
Será mesmo possível que transformações coletivas, profundas mas pouco visíveis, se entreguem nas frestas de entrevistas longas e serenas, em que pessoas que nós admiramos contam suas histórias, expõem ideias e nos deixam entrever diferentes dimensões de si mesmas? O encantamento de que a vida é capaz exala a emoção que vale o conhecimento? A ver. Ouvir. Sentir. Pensar. Com a calma que anda em falta no mercado e por aqui, na internet.
Luiz Eduardo Soares entrevista Willian de Oliveira, Marcelo Freixo, Andréa Pachá, Pablo Capilé, Marcus Faustini, Preto Zezé e Raul Jungmann. Na pauta os movimentos iniciados depois de junho de 2013
Clique aqui para ter acesso as entrevistas>>
Luiz Eduardo Soares e Tomaz Klotzel
Zero zero zero: visão penetrante, conclusiva, e que não autoriza ilusões
Leia a seguir a versão completa da resenha de Luiz Eduardo Soares de Zero zero zero, livro de Roberto Saviano.
Cada um de nós tem suas admirações particulares. Roberto Saviano é um dos meus heróis desde que li Gomorra e soube de sua saga pessoal. Agora, em Zero zero zero, seu livro mais recente, ele foi ainda mais longe. Saviano atua em um gênero que pinça o nervo de nosso tempo: convencionou-se denominá-lo jornalismo literário. Para os céticos, esse título significa nem literatura, nem jornalismo.
Leia Mais...»Entrevista a Daniel Oliveira
(1) A mobilização estudantil é parte da história de nosso país. Os estudantes tiveram e têm muita importância por sua ação política em geral crítica, sensível às grandes questões democráticas e populares. Nos últimos 20 anos, mais ou menos, as entidades nacionais mais relevantes por sua tradição, como a UNE, foram aparelhadas pelo PCdoB, em acordo com outros partidos, o que esvaziou a força de sua voz, abalou sua legitimidade e sua representatividade. Sobretudo depois que o PCdoB passou a gravitar em torno do governo do PT.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares: “A democracia depende do que faremos com as polícias”
Mais recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado esta semana, mostra que a polícia brasileira matou, em média, seis pessoas por dia nos últimos cinco anos
Leia Mais...»
Conversa de segundo turno
(Publicado com pequenos cortes na página 3 da Folha de SP, em 16/10/2014)
Luiz Eduardo Soares
(60 anos, cientista político, antropólogo e escritor)
Tenho amigos e interlocutores no PT. Os amigos respeitam e
calam. Os outros me pedem calma. Acham que estou reagindo com o fígado, por
mágoa. Eu lhes digo que não é mágoa, é indignação. Balançam a cabeça,
condescendentes. Ainda têm esperança em minha conversão. Cada voto vale a
paciência dos militantes. Sei que essa indulgência com minha rebeldia tem prazo
de validade. Assim que desistirem de mim, empurram-me ao inferno sem
piedade. Quando digo que Marina foi caluniada da forma mais torpe pela
campanha do PT, atribuem a selvageria ao marqueteiro, álibi para toda vileza.
Leia Mais...»Por que apoio Marina: postado no facebook em 26 de agosto de 2014
Aos amig@s que discutem democrática e respeitosamente, tenho a maior satisfação em responder. Àqueles que fazem o proselitismo hostil, buscando apenas desconstituir a candidatura de Marina com slogans e acusações, ultrapassando os limites do que um dia se chamou compostura, só me resta responder com o bloqueio. Não vou permitir que usem esse espaço para mera propagação do ódio ou para execução de tarefas profissionais a serviço de sabe-se lá quem. Quanto à equipe de assessores e interlocutores temáticos de Marina, eis o que penso.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares fala sobre peça “Entrevista com um Vândalo”
Imagine um triângulo amoroso formado por um policial infiltrado, uma escritora e um militante blackbloc. Foi esta a trama idealizada Luiz Eduardo Soares na peça “Entrevista com um Vândalo”, que ficou em cartaz, em curta temporada em junho, no Teatro Sérgio Porto, na cidade do Rio de Janeiro. Soares assina o texto, e Marcus Faustini, a direção. Os atores Márcio Vito, Valquíria Oliveira e Ian Capillé também se revezam no papel de um governador, uma secretária e um coronel da PM. O desejo dos realizadores do espetáculo é que ele tenha uma restreia em um futuro próximo, mas ainda não há nada confirmado.
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