Entrevista a Silvio Caccia Bava
Entrevista a Silvio Caccia Bava
Diretor
Le Monde Diplomatique Brasil
(12/07/2010)
Domingos – Documentário de Maria Ribeiro
Luiz Eduardo Soares
O talento de Maria Ribeiro não nos deu um documentário sobre a vida, o tempo e a obra de Domingos de Oliveira, mas um filme com Domingos. Explico por que e quão profundamente essa estratégia se relaciona com a singularidade do Domingos-artista, poeta, cineasta.
Leia Mais...»Além do bem e do mal na cidade sitiada
Luiz Eduardo Soares
Publicado no Caderno Aliás, jornal Estado de SP, 20/11/2011
A retórica ufanista e o moralismo simplificador do bem contra o mal, ainda comum na mídia, sobretudo carioca, não ajudam a entender a unidade de fundo entre crime e polícia, cuja lógica explica o drama da insegurança no Rio de Janeiro. O que se ganha na demagogia política dos símbolos, perde-se em acuidade analítica.
Leia Mais...»Aplausos à Violência?
Luiz Eduardo Soares
Como têm reagido as platéias ao filme Tropa de Elite, que exibe a coreografia e os bastidores da brutalidade policial? Ainda é cedo para saber. Mas há indícios reveladores. É preciso avançar com cuidado nesse terreno, ou correremos o risco de fazer com a sociedade o que alguns críticos fizeram com o filme: simplificar todo um universo complexíssimo com um rótulo fácil. Há os que riem diante da tortura. Mas será que rir expressa adesão ou algum profundo desconforto? Alguns gritam “caveira” e aplaudem o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais da PMRJ) nas ruas. Sim, é verdade, mas, nesse caso, não nos precipitemos em generalizações.
Leia Mais...»Tropa de Elite e Elite da Tropa
Luiz Eduardo Soares
Escrever um livro e realizar um filme do ponto de vista de um policial não é incomum, em outros países. Entretanto, no Brasil, aconteceu pela primeira vez. O resultado foi um misto de perplexidade, abjeção e encantamento. Claro que houve todo tipo de reação ao livro e ao filme, como é natural –a este em uma escala extraordinária. Cada produto cultural é apropriado e interpretado segundo códigos valorativos e de acordo com dinâmicas micro-políticas as mais diversas. Por isso, a pluralidade de significados atribuídos ao livro e ao filme por leitores, espectadores e críticos, militantes, gestores e policiais, corresponde antes à multiplicidade babélica da sociedade brasileira do que à polissemia das obras.
Leia Mais...»Salve Geral e 9mm: a corrosão do vocabulário punitivo
Luiz Eduardo Soares
Em Salve Geral, Lúcia ajeita os cabelos diante do espelho, enquanto espera ser atendida pela proprietária do salão de beleza: Ruiva, advogada criminal que se dispôs a ajudar seu filho. Atrás do espelho falso, Ruiva a observa. Lúcia vê o próprio rosto refletido, mas, sem o saber, dirige o olhar para a advogada cafajeste, cúmplice dos criminosos. Ruiva é a antípoda de Lúcia, recatada mãe de família de baixa classe média, professora de piano, viúva, devotada ao filho, cujo destino fortuito levou à prisão –quase inadvertidamente, como “o estrangeiro” de Camus.
Leia Mais...»O que pode a linguagem?
José Padilha e Luiz Eduardo Soares
Um capitão do Bope, Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM do Rio de Janeiro, depois de torturar por horas um adolescente pobre e negro, numa favela carioca, ante a resistência de sua vítima em delatar o parceiro do tráfico, apanha uma vassoura e determina a seu subordinado: “Zero-Seis, arreia as calças dele”.
Leia Mais...»Depois de Depois do Filme
Luiz Eduardo Soares
É a terceira vez que escrevo sobre espetáculos de Aderbal Freire Filho. Escrevi sobre O Púcaro Búlgaro, Moby Dick e, agora, compartilho com os leitores algumas impressões sobre Depois do Filme. Como, em matéria de produção acadêmica, teatro, cinema e literatura, só escrevo sobre o que admiro, me dá prazer e me encanta, a sequência constitui, em si mesma, modesta homenagem pessoal: expressa o reconhecimento da qualidade e a reverência pela obra de Aderbal. Por falar em admiração e apreço, cito meu saudoso mestre e amigo, Richard Rorty, que dizia mais ou menos assim: “Não gostou? Faça diferente.”
Leia Mais...»Repetições e a crítica teatral
Luiz Eduardo Soares
Assisti a montagem emocionante de um texto notável, escrito por Hélio Sussekind: “Recordar é viver” (dirigido por Eduardo Tolentino, com excelentes atores, entre eles Suely Franco e Sérgio Brito, cujos desempenhos marcarão época). Está em cartaz no Rio, no CCBB, e o preço do ingresso é mínimo (R$ 5,00). Hélio teve a coragem de voltar a um tema forte, matricial, arcaico e permanente: família.
Leia Mais...»Moby Dick: O Anti-Fausto de Aderbal
Luiz Eduardo Soares
Se me perguntarem o que é teatro político –se é que esta categoria faz sentido, uma vez que supõe um improvável teatro apolítico–, eu diria, sem hesitar: aquele que encena Fausto, em qualquer uma de suas ilimitadas encarnações. Porque este é o dilema político, ou melhor, o dilema, por excelência, da política pós-muro: o pacto com o diabo, entendido como a assimilação de condições e a mimetização de práticas cuja negação fundamentou a identidade do (anti)herói. Seu destino, no poder, é converter-se no outro que lhe dera sentido por antagonismo.







