Entrevista a Helio R. S. Silva, publicada pela revista virtual Iluminuras, sobre etnografia
Iluminuras, Porto Alegre, v. 16, n. 38, p.315-345, jan./jul. 2015.
ENTREVISTA COM LUIZ EDUARDO SOARES
Hélio R.S. Silva1
1 Faculdade de Educação da Baixada Fluminense/Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Hélio Silva – Penso na expressão de Malinowski, “limites e alcance”. E penso ainda que nossa conversa bem poderia orbitar em torno de uma questão: quais os limites e alcance da etnografia hoje? Dizendo isso, lembro de seu livro, O rigor da indisciplina, publicado em um momento em que havia certa efervescência em torno da questão.
Leia Mais...»‘Desmilitarizar la policía de Brasil es esencial’
ENTREVISTA para 
Luiz Eduardo Soares, antropólogo y experto en Seguridad Pública
En el primer mandato de Lula, el carioca Luiz Eduardo Soares redactó un plan de seguridad nacional que nunca fue aprobado. Duró pocos meses como secretario de estado de seguridad. Años después, el mundo conocería el lado más violento de las favelas y la policía de Rio de Janeiro gracias a las dos entregas de ‘Tropa de Élite’, películas inspiradas en sendas novelas de Soares, escritor y antropólogo, uno de los más respetados expertos en seguridad pública de Brasil.
Leia Mais...»Por que tem sido tão difícil mudar as polícias?
A morte de um jovem negro e pobre, numa periferia brasileira: mais um traço no catálogo da violência policial. Outra vida sepultada sob as patas do Estado. Já não importam palavras e números, curvas e tabelas. Os dados quantificam a tragédia e a diluem.
Leia Mais...»Alerta aos democratas:
Luiz Eduardo Soares: sobre a redução da maioridade penal
Luiz Eduardo Soares: “A democracia depende do que faremos com as polícias”
Mais recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado esta semana, mostra que a polícia brasileira matou, em média, seis pessoas por dia nos últimos cinco anos
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Homenagem a meus amigos policiais
PEC-51: revolução na arquitetura institucional da segurança pública
Luiz Eduardo Soares (antropólogo, professor da UERJ)
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acaba de apresentar a PEC-51, cuja finalidade é transformar a arquitetura institucional da segurança pública, um legado da ditadura que permaneceu intocado nos 25 anos de vigência da Constituição cidadã, impedindo a democratização da área e sua modernização.
As propostas chave da PEC-51 são as seguintes: (1) Desmilitarização: as PMs deixam de existir como tais, porque perdem o caráter militar, dado pelo vínculo orgânico com o Exército (enquanto força reserva) e pelo espelhamento organizacional. (2) Toda instituição policial passa a ordenar-se em carreira única. Hoje, na PM, há duas polícias: oficiais e praças. Na polícia civil, delegados e não-delegados. Como esperar respeito mútuo, compromisso com a equidade e coesão interna desse modo? (3) Toda polícia deve realizar o ciclo completo do trabalho policial (preventivo, ostensivo, investigativo). Sepulta-se, assim, a jabuticaba institucional: a divisão do ciclo do trabalho policial entre militares e civis. Por obstar a eficiência e minar a cooperação, sua permanência é contestada por 70% dos profissionais da segurança em todo o país, conforme pesquisa que realizei com Silvia Ramos e Marcos Rolim, em 2010, com apoio do Ministério da Justiça e do PNUD, na qual ouvimos 64.120 policiais e demais profissionais da segurança pública (cf. “O que pensam os profissionais da segurança no Brasil?” Relatório disponível no site do MJ).
Leia Mais...»Cooperação ou divisão do desgaste?
Faço uma pergunta simples e não encontro resposta digna, que rime com justiça ou com respeito à equidade. A pergunta é esta: se o ministro da Justiça considerou necessário reunir-se com os secretários de segurança do Rio e de São Paulo para definir uma linha comum de ação contra a quebra de vidraças e a queima de ônibus, por que não agiu da mesma forma para estipular uma linha comum de ação contra as milhares de execuções extra-judiciais nas favelas do Rio, na Baixada fluminense e nas periferias de São Paulo? O quebra-quebra é mais grave do que o genocídio de negros e pobres? A violência contra o patrimônio é mais importante do que a violência letal perpetrada por instituições do Estado? Que critério justifica essa chocante inversão de prioridades? O ministro, os secretários e os governadores não têm como responder, mas a população que conhece de perto a selvageria chancelada pelo Estado sabe a razão. A grande mídia saudou a união de forças das três instâncias e ignorou a absurda disparidade entre as abordagens. Sob o cinismo de sua retórica, ela também sabe a razão. O ministro e seus interlocutores também sabem. Mas não a podem enunciar. Por isso, não podem responder a pergunta mais simples: por que?
Leia Mais...»Um pacto pela reforma da segurança pública
Amigos, a Folha de SP publicou artigo s/reforma da segurança pública coassinado por mim, Luiz Eduardo Soares, Claudio Beato, Renato Sérgio de Lima, Rodrigo G. Azevedo e José Luiz Ratton. Devemos a iniciativa a Renato, que convidou os demais autores por sermos ligados aos diferentes candidatos à presidência. O endosso coletivo a este artigo confirma que há consenso mínimo quanto à necessidade urgente de uma reforma profunda da arquitetura institucional da segurança pública e do modelo policial, envolvendo a desmilitarização, a instauração do ciclo completo e da carreira única em cada instituição. Não mencionamos a PEC-51, no artigo, porque a referência ao senador Lindbergh Farias (autor da PEC) poderia dificultar a demonstração de unidade além da política partidária. Mas o fato é que o artigo constitui um importante apoio às principais teses da PEC-51, demonstrando que ela tem a possibilidade de conquistar ampla adesão, como aliás os debates têm comprovado. Teria sido melhor ainda se muitos outros parceiros queridos tivessem assinado o artigo, muitos dos quais são destinatários desta mensagem, alguns dos quais considero coautores das contribuições para a PEC, como Marcos Rolim e Ricardo Balestreri. Mas a extensão da lista de autores faria do texto um abaixo assinado e dificultaria sua publicação como artigo. O importante é o sentido político desta publicação coletiva, que mostra a possibilidade de que todos os candidatos até agora postos compartilhem o compromisso com essas transformações profundas. Espero que corporativismos, lobbies e o jogo menor da diferenciação eleitoreira e da retórica marqueteira não inviabilizem um pacto que encontra bases substantivas para firmar-se, pela primeira vez no Brasil.
Nosso artigo na Folha pode ser lido por este link:
http://www1.folha.uol.com.br/







