Raízes do imobilismo político na segurança pública
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, cientista político e escritor, professor da
UERJ e ex-secretário nacional de segurança pública)
para a revista Interesse Nacional, número 20
A sociedade brasileira tem sido capaz de promover transformações profundas nas mais diversas esferas de sua experiência coletiva, mas permanece inerte e impotente ante alguns problemas históricos que persistem, entre os quais a insegurança pública.
Cerca de 50 mil brasileiros são vítimas de homicídios dolosos, anualmente, dos quais apenas 8%, em média, são esclarecidos e um número bem menor chega a ser julgado e condenado[1]. Portanto, a taxa de impunidade relativa aos crimes mais graves alcança o espantoso patamar de 92%. Somos o segundo país mais violento do mundo, considerando-se os números absolutos referentes aos crimes letais intencionais. Examinando o baixíssimo índice de esclarecimento, um observador poderia ser instado a deduzir que o Brasil é o país da impunidade. Não é verdade. Temos a terceira população prisional do mundo, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos, e um dos mais velozes crescimentos da taxa de encarceramento do planeta: havia 160 mil presos em 1995; hoje, são 540 mil.
Leia Mais...»Proibição do consumo de drogas não é forma de controle eficaz
Publicada em 14/09/2012
O tema da semana comemorativa dos 58 anos da ENSP foi Drogas, Políticas Públicas e Saúde. Esse também foi o assunto da palestra proferida pelo cientista político e antropólogo Luiz Eduardo Soares, na segunda-feira (10/9), na abertura da semana. Em conversa com o Informe ENSP, Soares disse que a suposta proibição existente hoje em diversos países é equivocada do ponto de vista dos seus efeitos. “O acesso às drogas está se ocorrendo sem nenhum tipo de disciplina ou controle. As misturas químicas e associações geram novos nichos de mercado que causam graves consequências à saúde, como é o caso do crack”, afirma.
Leia Mais...»Contra a drogafobia e o proibicionismo: dissipação, diferença e o curto-circuito da experiência
Palestra na abertura da conferência que celebra os 58 anos da FIOCRUZ
10 de setembro de 2012
Contra a drogafobia e o proibicionismo:
dissipação, diferença e o curto-circuito da experiência
à memória de Santuza Cambraia Naves e Gilberto Velho
Luiz Eduardo Soares
Leia Mais...»Arquitetura Institucional da Segurança Pública no Brasil: Três propostas de Reforma Constitucional
Arquitetura Institucional
da Segurança Pública no Brasil:
Três propostas de Reforma Constitucional
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo e escritor. Ex-secretário nacional de segurança pública. Professor da UERJ)
A situação da segurança pública no Brasil permanece grave. Avanços no controle do crime e da violência, em algumas regiões, mesmo significativos, têm sido anulados, no cômputo agregado, pela deterioração verificada em outras, nas quais aumentam, consistentemente, as ocorrências de modalidades criminais relevantes.
Leia Mais...»Luiz Eduardo Soares e Ricardo Balestreri – A raiz dos nossos problemas de segurança
Algo está errado: temos a 3ª população carcerária, e só 8% dos homicídios esclarecidos. Um dos erros foi reproduzir o modelo do Exército na polícia
A situação da segurança pública no país permanece grave, a despeito de respeitáveis esforços pontuais. Aconteceram avanços regionais, mas o resultado nacional segue inalterado, pois os problemas se disseminaram para o interior e a insegurança cresceu em algumas regiões.
Leia Mais...»O que é que a PM bahiana (não) tem?
Luiz Eduardo Soares
(Antropólogo, escritor, ex-secretário nacional de segurança pública)
Mais uma vez, o Brasil discute segurança pública na crise. A Bahia está convulsionada e a consciência nacional contempla o enigma sob fogo cruzado. PM em greve, selvageria nas ruas, saques, medo, mortes. Cenário para músculos e paixões, pouco afeto à inteligência. Na crise, quem manda é a crise, com sua dinâmica inconstante e imprevisível. A questão corrente é: o que fazer, agora? Quando o doente está na UTI, a urgência exige mobilização de todos os recursos disponíveis para salvá-lo. Não é momento para seminários e filosofia. Entretanto, será preciso atravessar o dia seguinte com os olhos postos no futuro e a pergunta decisiva: o que fazer para evitar crises cíclicas desse porte? O que as motiva? Como reverter suas causas? Já houve dezenas como esta, nos últimos vinte anos.
Leia Mais...»Além do bem e do mal na cidade sitiada
Luiz Eduardo Soares
Publicado no Caderno Aliás, jornal Estado de SP, 20/11/2011
A retórica ufanista e o moralismo simplificador do bem contra o mal, ainda comum na mídia, sobretudo carioca, não ajudam a entender a unidade de fundo entre crime e polícia, cuja lógica explica o drama da insegurança no Rio de Janeiro. O que se ganha na demagogia política dos símbolos, perde-se em acuidade analítica.
Leia Mais...»A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
Monday, June 12, 2000
A Case Study in the Power of Brazil’s Corrupt Cops
The official who sought to reform the force in Rio de Janeiro state is
now living in exile in New York.
Tranquila e infalível como Bruce Lee
Luiz Eduardo Soares
Antropólogo, ex-secretário nacional de segurança pública, autor de Justiça [Nova Fronteira, 2011]
Os primeiros nove meses do governo Dilma, na segurança pública, foram decepcionantes. A decepção decorre do contraste entre as expectativas suscitadas pelos excelentes nomes escalados para enfrentar o desafio e a postura da presidente, que prefiro descrever a qualificar, por respeito ao cargo e à sua biografia.
Leia Mais...»Segurança Pública no Brasil, hoje: muitos sertões, poucas veredas
Luiz Eduardo Soares
Publicado em O Estado de Minas, 2010 – Segurança Pública no Brasil, hoje: muitos sertões, poucas veredas
Em 2002 o PT venceu as eleições prometendo não adotar a postura dos governos anteriores. O presidente comprometeu-se a chamar para si a responsabilidade na segurança pública, pagando o preço político em nome do interesse público. A bússola era o plano nacional que ajudei a redigir, ao longo de um ano de trabalho coletivo, e para o qual me cabia, como secretário nacional de segurança, em 2003, criar condições de implementação.
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